O pescador e a bucólica Lagoa dos Patos

 No roteiro da cadeia produtiva do peixe, a reportagem do Jornal do Mercado, encontra Porfílio junto às plácidas águas da Lagoa dos Patos, em Pelotas.

Em Pelotas está a terceira Zona de Pesca do estado, margeada pela Lagoa dos Patos. Um lugar tranqüilo e receptivo, com uma bonita paisagem. Neste cenário encontramos Porfílio de Amorim Conde, 60 anos, que vive na colônia há 25. “Quando cheguei aqui era muito bom, se ganhava dinheiro e tinha muito peixe. Hoje em dia não tem mais”, lamenta.  Aprendeu a pescar com seu pai, em São José do Norte, com 12 anos de idade. O pai chegou a ser pescador do Arroio do Inhame, assim como seu avô e seu bisavô. “Nem sei desde quando temos esta tradição na família, de origem portuguesa”, questiona. Durante muito tempo, os pescadores da colônia trabalhavam a venda dos seus pescados diretamente com os atravessadores. No ano de 2003, foi criada uma cooperativa, com o objetivo de congregar os pescadores da região. “Infelizmente a cooperativa compra pouco peixe nosso, sempre acaba caindo alguma coisa nas mãos dos atravessadores. Mas ela nos trouxe o benefício da fábrica de gelo, e isso é muito bom”, avalia o pescador da Z3.
Neste ponto da Lagoa dos Patos, a pesca é feita artesa-nalmente. As embarcações são de pequeno porte, mas nem por isso o trabalho é menos árduo. “A vida no mar é braba, chegamos a ficar uma semana fora. Meu barco tem seis metros e meio de comprimento, cheguei a pescar com redes de mil metros nele e a pegar cerca de 100 kilos de pescado por noite”, conta ele.
Os pescadores ficam parados nesta época do ano. Estão no período do defeso, que ocorre de junho a setembro. O seguro desemprego é o que garante a sobrevivência da maioria das famílias durante estes quatro meses. A pesca de camarão continua sendo a mais forte na colônia, mas já demonstra sinais de escassez. Outros peixes como a tainha, a corvina e o bagre quase não tem mais, segundo informações dos próprios pescadores.
No final da conversa, Porfílio sintetiza a atual situação dos pescadores da colônia em uma frase carregada de emoção e simbolismo: “Meus dois filhos criei com o dinheiro da pesca, hoje eles estão na cidade, estudaram e trabalham na cidade. Sou a última geração, meus filhos não exercem, porque já não tem peixe.”

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