O papel da cultura na revitalização do Centro Histórico (II)

Centro Histórico, por Emílio Chagas

 

Na segunda e última entrevista com Roque Jacoby, secretário de cultura de Porto Alegre, a continuação das ações culturais que buscam contribuir com a revitalização do centro da capital. Na primeira, vimos que a Secretaria da Cultura pretende retomar e ampliar seu espaço no Mercado Público, implantar um centro cultural no térreo do Paço Municipal e fortalecer o artesanato local na Praça da Alfândega,

Secretário da Cultura Roque Jacoby no Mercado Público FOTO: Emílio Chagas

onde novas bancas já esperam os artesãos, que irão para a rua adjacente à praça.

 

 

“Nosso Centro Histórico cativa muito as pessoas, mas requer mais atenção dos agentes públicos porque está muito degradado. Mas a perspectiva de sua humanização é muito alvissareira: há uma consciência de várias frentes da prefeitura municipal de que tem que ser dada uma atenção especial a esta região. Acho que é um cartão de visitas da cidade”, começa dizendo o secretário, reforçando que a sua secretaria quer um espaço significativo para atividades culturais no Centro Histórico. Ele lembra que há o projeto de reforma da Rua da Praia, incluindo iluminação. Quanto ao propalado projeto do Cais do Porto (onde estariam previstos vários espaços culturais), diz que não está na esfera da secretaria. Tem, porém, grandes expectativas com a reforma pela qual vai passar a Praça da Matriz, histórica e que remonta à fundação da cidade. O espaço também ganhará novos ares com a recuperação do centenário monumento a Júlio de Castilhos, um dos mais importantes da cidade, dentro do programa PAC das Cidades Históricas.

 

Centro Cultural da Caixa Econômica Federal

Futuro Centro Cultural da Caixa Econômica Federal                   FOTO: Vanessa Souza

 

Sem dúvida, um dos projetos que os produtores de cultura da cidade esperam com mais expectativa é o futuro Centro Cultural da Caixa Econômica Federal, que deverá ser instalado no prédio dos antigos cinemas Imperial e Guarany, em frente à praça da Alfândega. Teatro para 670 pessoas, espaço para museu e exposições, além de salas específicas para dança e multimídia, ocuparão os três andares inferiores. Segundo o secretário, o restante dos andares deste que é considerado um dos primeiros arranha-céus de Porto Alegre, construído na década de 30, deverá abrigar toda a área administrativa da SMC, que sairá da Casa Torelly, reservada para ser um espaço exclusivo da Equipe do Patrimônio Histórico e Cultural, EPHAC. O futuro centro cultural, cujas obras ainda estão relativamente atrasadas, em relação ao seu cronograma, vai se integrar ao verdadeiro complexo cultural atual do entorno, com o Santander Cultural, o Centro Cultural Erico Verissimo, o Museu do Rio Grande do Sul, o Memorial do RS e a Casa de Cultura Mario Quintana – sem falar da Feira do Livro.

 

Requalificação da Usina do Gasômetro

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Usina do Gasômetro, revitalização à vista                    FOTO: Joel Vargas/PMPA

Outra grande conquista para o meio artístico e comunidade local, diz respeito a um dos principais polos culturais da capital, a Usina do Gasômetro. “Com a revitalização da Orla e com o projeto Cais Mauá, concluiu-se que seria extremamente desagradável ter dois projetos modernos e vivos, e a Usina no meio, um ícone de Porto Alegre, nas condições em que se encontra”, diz Roque. Ele informa que dos 92 milhões de dólares captados para as obras de modernização da Orla, 3 milhões serão destinados à Usina, por determinação do prefeito José Fortunati. “Queremos tornar a Usina um centro cultural de múltiplas atividades, retirando, inclusive a sua parte administrativa de lá. É o equipamento cultural que mais recebe visitantes durante o ano, uma média de 10 mil pessoas por fim de semana.” O prédio terá as redes hidráulica e elétrica refeitas, novo elevador, saídas de emergência e acessibilidade, o seu bar-café redesenhado, áreas gastronômicas, criação de espaço para a Banda Municipal, sala de dança reformada, teatro Elis Regina finalmente concluído e a grande novidade: passará a abrigar a Pinacoteca Aplub, “um acervo fantástico”, nas palavras do secretário.

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