O papel da cultura na revitalização do Centro Histórico (I)

Centro Histórico, por Emílio Chagas

 

Roque Jacoby, secretário de cultura de Porto Alegre, vem de uma tradição humanista e culturalista. Desempenhou papel importante na cena editorial porto-alegrense com a sua editora Mercado Aberto, entre outras importantes atividades na área. De uns anos para cá, vem atuando em atividades como gestor público e político, tendo sido, também, secretário da cultura estadual.

 

Ele começa explicando que existe, por parte da prefeitura, “uma clara intenção de melhorar e qualificar o Mercado pós-incêndio. Tudo está demorado, nós estamos até constrangidos diante das reformas, que andam lentas, mas dependemos muito de questões legais, próprias da esfera pública, inexistentes no setor privado. Estamos empenhadíssimos para que, neste ano ainda, tenhamos a abertura do 2º andar”, diz. “Dependemos agora da escada rolante e dos elevadores. Com relação à Cultura (secretaria), queremos, na realidade, ampliar nossa participação lá. Além de retomar o Memorial do Mercado (destruído no incêndio de 2013), ter a nossa loja com produtos culturais e artesanato de produção local, ao qual queremos dar grande ênfase”, informa. Para Jacoby, o Mercado Público é um cartão de visitas que todos os visitantes deveriam conhecer, inclusive para ter contato com as peculiaridades do estado.

 

O futuro do Paço Municipal

Espaço cultural previsto para o Paço Municipal FOTO: Vanessa Souza

Prédio histórico e um dos mais icônicos do Centro Histórico, que em 2011 completou 100 anos de existência, o Paço, sede da prefeitura, também deverá ter outro destino. “Desde que assumi, o Custódio (Luiz Antônio, diretor da Equipe do Patrimônio Histórico e Cultural – EPAHC) vem insistindo que já existe um projeto, de longa data, para transformar o local em um ambiente cultural. A ideia é retirar a parte administrativa, ter um auditório, entre outras ações. Já estão sendo liberados recursos para isso e a gente espera que possa inaugurar as obras ainda este ano.”

“O Centro Histórico está merecendo a atenção da prefeitura, e uma das medidas, em especial, é em relação à Praça da Alfândega, que é um patrimônio cultural de Porto Alegre, tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), restaurada recentemente pelo Programa Monumenta.” Trata-se de uma requalificação do espaço, hoje invadido pela drogadição e todos os problemas decorrentes dela. O secretário revela que já chegaram os novos modelos das 42 bancas para os artesãos – que pleiteiam a continuidade da permanência na Rua dos Andradas. Mas, tanto o IPHAN quanto o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (IPHAE) já determinaram que eles serão removidos para a Rua Cassiano Nascimento, travessa que circunda a praça. Jacoby informa, ainda, que estão sendo realizadas reuniões sistemáticas envolvendo várias frentes, como secretarias municipais (SMIC, Segurança, Cultura, Meio Ambiente, DMLU, FASC) e entidades públicas (Brigada Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, Guarda Municipal)

Ampliação da Cultura no Mercado                         FOTO: Thaís Marini Maciel

para montar uma estratégia com esse objetivo. “A proposta é fazer uma depuração geral para que os turistas possam conhecer aquele ambiente que reúne vários prédios históricos e culturais.” Concluindo, ele também registra que o artesanato naquele reduto ganhará grande atenção, obrigando, inclusive por causa contratual de concessão, que a produção seja estritamente local, valorizando o produto gaúcho – ao contrário do que ocorre hoje, com grande predominância de produtos com origem da China. “Este projeto é muito palpitante dentro da prefeitura, para que a Praça volte a ser um ponto tranquilo e de habitabilidade.”

COMENTÁRIOS