O mistério do príncipe do Bará

O Monumento ao Bará é um marco religioso que está sob o teto do Mercado Público. Entre as versões históricas ligadas à sua criação, está a vinda de um Príncipe africano que teria, mais tarde, relação direta com o local.

 

Rodeado de mistérios e contradições, em 1901, o Príncipe José Custódio Joaquim de Almeida desembarcou em Porto Alegre, trazendo consigo cerca de 40 pessoas, incluindo esposa e filhos. Acredita-se que ele deixou a África quando seu país – hoje, República de Benin – foi ocupado pela Inglaterra. Ao chegar no Brasil, fez passagem pela Bahia e Rio de Janeiro, até chegar em Rio Grande, por orientação dos orixás.

Sua personalidade era ligada à fama de curandeiro e líder religioso, tanto que sua vinda para Porto Alegre se deve a doença do presidente do Estado, Júlio de Castilhos, que o procurou para na tentativa de curar um câncer na garganta. Ao mesmo tempo, ele era considerado um babalorixá, figura proeminente na estrutura das religiões de matriz africana. Promovia consultas aos orixás, através do ifá – jogo de búzios -, atende pessoas necessitadas, promove culto as divindades, em cerimônias de batuques de chegam a durar 3 dias.

Embora não se tenha certeza, todavia acredita-se que o assentamento do Bará nasceu a partir de um ritual comandado pelo Príncipe Custódio. Ninguém sabe quando isso aconteceu. Ainda existe uma versão paralela com muitos seguidores entre as lideranças afro-religiosas, que atribui o assentamento não ao Príncipe, mas aos escravos que trabalharam na construção do prédio.

O Príncipe Custódio morreu em 26 de maio de 1935, aos 104 anos. O assentamento do Bará continua vivo com as forças dos eventos religiosos, se tornando um símbolo dentro do Mercado Público. A tradição assegura que, com o Bará, o Mercado está das energias ruins que podem passar por ali.

 

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