Luiz Antônio de Assis Brasil: “Mercado Público está na minha vida”

O Mercado Público está na minha vida

 

     Um dos mais expressivos escritores contemporâneos do Rio Grande do Sul, Assis Brasil é também formado em Direito, embora sempre tenha estado ligado às artes e gestão cultural. Foi diretor do Centro Municipal de Cultura de Porto Alegre e do Instituto Estadual do Livro, IEL. Sua estreia como escritor se deu em 1976 com o romance “Um Quarto de Légua em Quadro”. Uma trajetória vitoriosa, com a conquista de muitos prêmios literários, entre eles o Jabuti. Escritor reconhecido, autor de obras como Manhã Transfigurada, O Homem Amoroso, Cães da Província e Concerto Silvestre, Assis Brasil é um dos mais reconhecidos ministrantes de oficinas de literatura. Com a vitória de Tarso Genro, foi convidado para assumir a Secretaria de Cultura. Em uma de suas visitas ao Mercado Público, concedeu este depoimento ao JM.

Luiz Antônio de Assis Brasi, secretário estadual de cultura

     O Mercado Público está na minha vida, não só na minha, mas dos portoalegrenses, desde que me conheço por gente. Um lugar de encontro. De compras claro, mas antes de mais nada, de encontro. Um lugar de lazer, um lugar onde a gente encontra os amigos, um lugar onde a gente tem contato com a cultura na sua expressão mais genuína, das pessoas que aqui circulam, que aqui compram. E das pessoas, especialmente, que aqui trabalham e que têm depoimentos de vida espantosamente bons e belos, mostrando que é possível aliar num único espaço, uma atividade que é comercial, sem dúvida nenhuma, mas antes de tudo, uma atividade cultural, embora muitos não saibam disso.

O Mercado e outros mercados

     Nós temos outros mercados, poucos, pouquíssimos, alguns até em processo de restauração. Mas me parece que cada um deles tem a sua peculiariedade. E o de Porto Alegre é único. Porque a cidade é um condensador demográfico e um lugar de convergências culturais de todo estado, por isto ele é único. Os outros, enfim, históricos, importantes, relevantes na vida econômica e social do nosso estado têm uma dimensão, digamos regional. Importante e necessária, sem dúvida, mas o nosso tem isso que o faz, não melhor do que os outros, mas diferente. Essa confluência de cultura, de expectativas, de esperanças que circulam na grande cidade, circulam pelo Mercado Público de Porto Alegre.

O Mercado na literatura e cinema

     Essa ligação me parece perfeitamente natural. Um espaço comercial que tem esta dimensão de antiguidade, de história e de cultura é perfeitamente natural que se queira também utilizar-se dele. Porque dá, digamos, consistência a qualquer argumento, de peso da cultura e da história cinematográfica, literária ou seja o que for.

Patrimônio histórico

Isso é uma questão que envolve o poder público e os proprietários privados. É uma responsabilidade compartilhada, digamos assim. E parece que tem funcionado bem. Inclusive a última reforma, que deu este aspecto como vemos hoje, foi uma intervenção direta e positiva do poder público que conseguiu com esta restauração dar uma dignidade ao Mercado Público. Mas sempre é um trabalho conjunto.

Relação com o Mercado

     Quando era pequeno vinha comprar fumo em corda para o meu pai, que fumava palheiro. E algumas especialidades que depois passei a comprar. Agora mesmo estou levando um charque para uns amigos portugueses que vou receber no fim de semana. Restaurantes? Claro, mas não quero citar nenhum, porque um deles é muito conhecido. Mas eu já circulei por outros, que são igualmente muito bons.

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