O Mercado pela ótica estrangeira

Em meados do século XIX, alguns viajantes vindos da Europa e América do Norte, em suas incursões pelo Brasil, aportaram em Porto Alegre. O Mercado Público, que vivia as primeiras décadas de existência, recebeu esses visitantes estrangeiros que, mais tarde, publicaram suas impressões a respeito do lugar.

 

meados do século XIX, alguns viajantes vindos da Europa e América do Norte, em suas incursões pelo Brasil, aportaram em Porto Alegre. O Mercado Público, que vivia as primeiras décadas de existência, recebeu esses visitantes estrangeiros que, mais tarde, publicaram suas impressões a respeito do lugar

Foto: arquivo/JM

O Mercado e suas peculiaridades sempre despertaram o interesse de quem se aproximava da construção. Desde os seus primeiros anos, era muito bem visto por aqueles que vinham de fora que comparavam aquele edifício quadrado às margens do Guaíba com os demais mercados existentes no Brasil e ao redor do mundo. Olhos que apontavam para a arquitetura, o colorido, a variedade e fartura de produtos relataram características que faziam daquele Mercadão do século XIX um dos marcos de uma cidade em pleno desenvolvimento. Rafael Guimaraens, no livro “Mercado Público: palácio do povo” (Libretos, 2012), reúne alguns desses depoimentos.

Wilhelm Breitenbach (1856–1937), professor e jornalista alemão, que morou em Porto Alegre entre 1880 e 1883, descreveu em alguns parágrafos do seu livro “Do Sul e do Brasil: lembranças e apontamentos”, editado na Alemanha em 1913, as bancas como “simples, todavia bonitas”, mencionou a grande quantidade de frutas vendidas, além de comparar o local com mercados de outras regiões do país. “O estabelecimento é um tanto diferente, mas muito prático. […] A espécie animal está menos presente que o mundo vegetal, ao contrário dos mercados dos estados mais ao norte do país, como Rio de Janeiro e Bahia. De vez em quando se veem, no Mercado, alguns papagaios verdes e outros pássaros, bem como um macaco bugio.”

Em 1888, outro viajante alemão que esteve por aqui foi Victor Walter Esche (1861–1924). No seu livro “Do maravilhoso país das palmeiras”, ele elogiou a arquitetura, comparando-a a “uma pequena fortaleza”. “As alas do Mercado conferem honra especial à cidade. Espaçosas e de estilo singular, foram construídas não apenas de forma a serem especialmente práticas, mas também com bom gosto.” Ainda em 1888, foi a vez de um botânico norte-americano relatar as suas impressões acerca do Mercado. Herbert Smith (1851–1919), que viveu durante seis meses em Porto Alegre, destacou a venda de produtos tradicionais e a qualidade das frutas e peixes comercializados. “O Mercado é um dos mais bem supridos do Brasil […]. Veem-se filas de peras, uvas e pêssegos […], grande variedade de excelente peixe são tirados da lagoa. Várias quitandas vendem cuias lindamente pintadas e esculpidas para mate, muito usadas na província”.

 

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