José Antônio Pinheiro Machado: “O Mercado é um símbolo vivo de Porto Alegre”

O Mercado é um símbolo vivo de Porto Alegre

     Jornalista e advogado, além de ser um dos fundadores da editora LP&M, José Antônio Pinheiro Machado tornou-se popularmente conhecido no Rio Grande do Sul como o Anonymus Gourmet – personagem frequente já há mais de uma década na telinha das nossas TVs com suas receitas e dicas culinárias. Numa das suas passagens pelo Mercado, claro que não podíamos deixar de registrar o seu depoimento.

 José Antônio Pinheiro Machado* 

 

     Não me lembro bem dos primeiros 100 anos do Mercado, mas dos 40, 50 anos para cá, alguma coisa sim. Quando eu era criança vinha todos os sábados com o meu avô para comer salada de frutas na Banca 40. O Mercado tem toda uma ligação, sempre foi para mim uma referência. Quando comecei a trabalhar na Folha da Tarde, como jovem repórter, com 18 anos, eu vinha aqui no antigo Treviso, que era onde a gente vinha jantar de madrugada. Naquele tempo o meu sistema digestivo era bem melhor, eu podia comer uma bacalhoada às duas da manhã e dormia como um anjo. Enfim, acho que o Mercado Público é uma síntese. Há pouco eu conversava com o arquiteto Flávio Kiefer, ele fez vários projetos, como a Casa de Cultura Mario Quin­tana, o Centro Cultural Erico Verissimo e ele, que não trabalhou na reforma do Mercado, me deu um depoimento fantástico: disse que o Mercado começou lá no século 19 e foi se refazendo, aumentando, como todas as grandes obras. Então ficou uma coisa extraordinária, um ser vivo, que passou por uma reforma. 

 O Mercado e a modernidade 

     No tempo da ditadura militar tinha um projeto de destruir o Mercado e fazer um estacionamento. Eu me lembro disso bem porque na Folha da Tarde nós fizemos uma campanha para salvar o Mercado, que era a memória da cidade. Era uma barbaridade esse projeto, um acinte. E Porto Alegre conseguir salvar o seu Mercado. Então é isso, o Mercado Público é um símbolo vivo. Nós estamos aqui num sábado de manhã e vemos o que tem de gente comprando, se abastecendo. Tem gente que vem simplesmente para ver, andar um pouquinho, olhar as coisas, tomar um cafe­zinho e ir embora. Acho que todas as grandes obras da arquitetura mundial que são vivas e que realmente importam, vão se transformando com o decorrer do tempo. Veja a Catedral de Notre Dame, em Paris. Ela se modernizou, tem sistema de som, pequenos melhoramentos, que não desfiguram a sua essência. Então eu acho que a essência do Mercado Público não vai ser desfigurada. A arquitetura que nós temos aqui, com modernização e adaptações, é do século retra­sado. Então, acho que isso só ajuda. Feito como está sendo feito nos últimos anos, e como a prefeitura na atual gestão está fazendo, são coisas escrupulosamente feitas que ajudam a funcionar melhor. Por exemplo, esta escada rolante. Acho que tem colocar todos os recursos da moderna tecnolo­gia. Tem que ser oferecido para o conforto das pessoas. Porque o Mercado não é uma estátua para ficar paralisada. O Mercado é um ser vivo, como eu disse. Aqui circulam pessoas e tem que dar o máximo de conforto para elas, tem que ter um sistema de ar condicionado, tem que ter todas essas coisas da modernidade. Porque isto não vai desca­racterizar o Mercado, ao contrário, vai fazer com que ele não se torne uma coisa obsoleta. É importante que as pessoas tenham mais vontade de estar aqui dentro. E só tem mais uma coisa fundamental: voltaremos! 

·                      Jornalista e advogado

 

    

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