Rodrigo Lopes: “O Mercado é um patrimônio cultural da cidade”

      O Mercado é um patrimônio cultural da cidade    

     Rodrigo Lopes*

          Ele mora há 29 anos em Porto Alegre, viajou por vários países do mundo como repórter de Zero Hora e confessa que, com o Programa Camarote, da TVCom, que apresenta junto com Kátia Suman, está redescobrindo a cidade. O Mercado é uma dessas descobertas.

     Eu acho o Mercado Público o centro da vida social de Porto Alegre. Por aqui circulam pessoas de todas as classes sociais, que vêm simplesmente para atravessar o centro e cruzam o Mercado. Outras para comprar, como o meu pai, que vem na Banca 43 há muitos anos. E tem outras pessoas que vem para sentir os cheiros e sabores. Qualquer mercado é alma de uma cidade. Eu conheço os mercados de Montevideo, de Barcelona e o pior mercado do mundo, a “cozinha do inferno”, de Porto Príncipe, no Haiti, onde estive duas vezes. Sempre que eu chego numa cidade procuro ir no mercado público para conhecer. A lembrança mais remota que eu tenho do Mercado é quando eu vinha aqui com minha prima, Simone Lopes, que é jornalista em São Paulo e a gente vinha buscar passagens escolares, antes da reforma. Eu tinha seis, sete anos. Era aqui no segundo piso, a gente ficava na fila. Era um “friozão” porque não era coberto ainda.

     Outra lembrança é também quando eu era pequeno e vinha visitar minha mãe na Junta Comercial. Descia no centro na Praça XV, me assustava com o cheiro do Mercado. Depois é que descobri que o cheiro também faz parte desta coisa pulsante que é o Mercado Público. Depois da reforma me afastei um pouco do Mercado. Hoje acho que entrar aqui virou mais um cartão postal. Me sinto orgulhoso do Mercado, de poder trazer alguém que chega de fora aqui. Claro nos arredores ainda é um pouco perigoso, precisa evoluir na questão da segurança, na reurbanização, a questão do Cais do Porto, para que as pessoas se sintam mais à vontade para vir para o centro. Tem toda uma obra de reformas no entorno do Mercado, toda a cidade do mundo tem o seu mercado e cuida muito bem dele. Aqui se cuidou muito bem da obra, o Mercado é um patrimônio cultural da cidade. Agora tem que ter segurança em volta para que as pessoas possam visitar.

     Em termos de alimento, cultura, erva mate só aqui se encontra vários tipos, as feiras deveriam ser semanais. Falta chegar informações às pessoas. Eu mesmo que moro em Porto Alegre há 29 anos não sabia que tinha uma Feira de Gibi, do Vinil. A imprensa poderia abrir mais espaço para isto. Eu venho da Zero Hora, era repórter de mundo, para mim está sendo uma redescoberta de Porto Alegre com esta experiência do “Camarote”, na TVCom. Às vezes eu vejo que conheço Beirute, Tailândia, Barcelona, Estados Unidos e não conheço a cidade em que eu vivo. Sempre optei, depois de viajar, voltar para cá. No “Camarote” em uma semana a gente entrevistou mais de 100 pessoas, e as pessoas estão sentindo isto. Dizem, ah, lá no Mercado, no Gasômetro tem isso, tem aquilo, olha que legal, e eu não sabia que tinha. O diferencial do “Camarote” é isso: sair do estúdio, para estar na rua onde as coisas estão acontecendo. O importante é essa interação com o público. É uma grande estrutura, a idéia é ir também para o interior do estado. Primeiro queremos consolidar Porto Alegre.

 

*Apresentador – Programa Camarote, TVCom

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