Vitor Ortiz: “O Mercado é um marco de valor inestimável”

O Mercado é um marco de valor inestimável

 

Vitor Ortiz*

 

Tenho uma relação afetiva bastante grande com o Mercado, desenvolvida desde a adolescência, quando eu fazia cursinho pré-vestibular. Vinha almoçar no Mercado, fazia aquele tempinho, antes de começar a aula da tarde, vinha pra cá ler jornal, nas mesas do Mercado. Freqüento o Naval, o Gambrinus, o Sayuri. E tenho uma relação muito próxima com a equipe do Programa Monumenta, que também está aqui no Mercado. As minhas reuniões de almoço mais importantes procuro sempre fazer aqui, entre uma barrolda e outra. Aliás esta grande especiaria do Mercado ainda é pouco conhecida em Porto Alegre, por incrível que pareça. E deveria ser um produto de exportação. Só se encontra barrolda fora do Mercado lá no Tuim, na subida da ladeira. Em torno da barrolda existe toda uma confraria. Sempre que algum artista, ou alguém da área da cultura vem a Porto Alegre, eu trago no Mercado. O Antonio Grassi, que foi presidente da FUNARTE, sempre que vem a Porto Alegre me liga. Começamos o roteiro sempre com uma barrolda no Mercado. Ele sempre leva alguma especiaria aqui do Mercado, como a própolis.

Acho que o melhor mercado do Brasil, em termos de especiarias, é o de Belo Horizonte, até porque lá tem muitos restaurantes sensacionais, e o melhor, com a culinária mineira, uma das mais ricas do Brasil. E lá também tem o fato de ter o concurso, Comida de Boteco, que acontece há muitos anos e acabou criando uma série de cardápios. E também porque BH é uma cidade que vive muito do bar. O mineiro costuma dizer que a cidade não tem nada, mas tem bares. Outro Mercado referência nacional é o Ver o Peso, lá em Belém do Pará. E o Mercado de Porto Alegre tem o charme de ter um prédio original, construído lá no início do século 20, que passou por esta revitalização que o colocou numa outra dimensão. Tem um excelente conteúdo de ofertas de produtos, com as características originais, com lojas de peixe, erva mate, queijos, de vinho e outras e manteve a arquitetura. Porque o de BH é o melhor em termos de conteúdo, mas visualmente é muito feio. É um edifício que não tem nenhum valor cultural. E o nosso tem esta combinação de ter um bom conteúdo e uma bela arquitetura, que relembra a história da cidade. O Mercado é um marco, o eixo central da roda cultural do centro de Porto Alegre. É um símbolo, um dos edifícios mais importantes de valor cultural que a cidade possui. Isso se deve, em grande medida, ao carinho que todo o portoalegrense tem por ele, reconhecendo o seu valor cultural. É de valor inestimável. A reforma foi uma solução muito interessante, porque preservou o antigo e introduziu o moderno. Foi uma solução muito contemporânea. Até hoje é a principal referência de intervenção deste tipo.

 

*Secretário de Cultura de São Leopoldo

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