José Fogaça: “O Mercado é um lugar de convivência e acolhimento”

O Jornal do Mercado ouviu o prefeito de Porto Alegre. Aqui ele fala aos leitores sobre a Revitalização do Centro da Cidade e, claro, do Mercado Público.

 

O prefeito de Porto Alegre, José Fogaça

JM – Revitalização do Centro: como o Mercado se insere neste contexto?

José Fogaça – Nós temos um projeto de revitalização do Centro, que compreende mais de 40 ações. Essas ações vão desde a Praça do Portão, a chamada Praça Conde de Porto Alegre, lá na Rua Duque de Caxias, até o Mercado. A restauração do Mercado, se constitui talvez na revitalização do mais importante ícone arquitetônico da cidade. É um lugar onde as famílias costumam visitar, é um lugar que, historicamente, sempre foi um centro de atividades comerciais. Os melhores produtos que a cidade vende sempre estiveram à disposição da população no Mercado. Então, recompor essa importância vital do Mercado como um local de convivência, de cultura, de comércio de qualidade, como local de reencontro das famílias e das pessoas é o objetivo desta obra de restauração.

 

JM – O Mercado como um espaço cultural de Porto Alegre: quais as ações previstas para o fortalecimento da cultura gauchesca?

Fogaça – O Mercado é um espaço cultural sob vários aspectos. Primeiro, o próprio Mercado em si, o próprio edifício do Mercado é uma construção arquitetônica impar, tem mais de 100 anos. É um belíssimo exemplar de arquitetura do século retrasado, de modo que só recompor essa arquitetura, devolvê-la plenamente à cidade, já é um evento cultural importante. Mas no Mercado também há manifestações de toda ordem: manifestações religiosas, manifestações de caráter musical. Muitos shows, muitos artistas se apresentam nos bares, restaurantes e cafés do Mercado. Além disso, nós temos ali uma parceria do Sebrae com a Secretaria Municipal do Turismo (SETUR), com um centro de exposições e comércio de artesanato local. Em breve, também vamos instalar ali uma casa de doces de Pelotas. Então, é um lugar de encontro das famílias, mas ao mesmo tempo, um local de resgate dos valores do Rio Grande do Sul.

 

JM – Estacionamento: segundo o Secretário Fortunatti, o estacionamento é o gargalo do Mercado. Qual a sua visão sobre isso e qual o plano de ação para a efetiva construção?

Fogaça – A questão do estacionamento é realmente bem complicada. Na verdade, o Largo Glênio Peres não pode servir de estacionamento. Ele precisa ser respeitado. Apenas nos fins de semana, como já acontece há muitos e muitos anos, inclusive antes do nosso governo, ali, apenas no sábado e no domingo é que há uma utilização do Largo para fins de estacionamento. No futuro, o que nós pretendemos é abrir a José Montaury novamente para a circulação, restaurar a Vigário José Inácio até a Júlio de Castilhos, de modo que a Praça XV não será apenas um largo incomunicável, um passeio público. Será também uma área de circulação possivelmente de táxis e lotações. A solução para o estacionamento no centro da cidade talvez se dê através de um projeto um pouco mais ousado. Há aqueles que propõem um estacionamento subterrâneo. É algo de se pensar, desde que numa escala de parceria público-privada. O poder público não tem recursos para isso. Nós não queremos aumentar a circulação de automóvel no Centro, nós queremos melhorar a qualidade do transporte público coletivo através dos Portais da Cidade. Queremos fazer do Centro Popular de Compras um portal de grande movimentação do transporte coletivo, de modo que a questão de estacionamento é uma questão a ser resolvida num projeto um pouco mais complexo, numa escala maior. Não é algo que se possa encontrar solução diretamente ali no Largo Glênio Peres, que não serve para isso.

 

JM – O Mercado como um pólo turístico da Cidade: qual a política de adequação do Mercado para o turismo?

Fogaça – O fato de que nós valorizamos muito o Mercado como um pólo turístico da cidade está demonstrado na recente instalação da nossa loja da Secretaria Municipal do Turismo. Nosso Serviço de Atenção ao Turista (SAT), localizado na esquina do Largo Glênio Peres com a Borges de Medeiros, que é uma das melhores esquinas da cidade, é dos lugares mais estratégicos da cidade. Ali está a nossa loja, à disposição do turista, à disposição dos cidadãos, à disposição de quem visita o Mercado, de quem visita à cidade, de quem passa por ali, oferecendo informações sobre restaurantes, hotéis, alojamento na cidade. O Mercado também tem uma loja do Sebrae, que, obviamente, é um centro que recebe os turistas através da oferta de produtos de artesanato locais e que também oferece informações de toda natureza. Além disso, nós temos um telecentro mantido pela Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Segurança Urbana, que também é um local de acolhimento das pessoas e um local que pode ser usado pelos turistas. Enfim, o Mercado tem a sua característica essencial: ele é basicamente um lugar de convivência e acolhimento das pessoas, onde estão os nossos mais charmosos restaurantes, é um ambiente agradável e tipicamente porto-alegrense, é um ambiente popular e de grande valor cultural. No Mercado se encontram as pessoas da cidade, as pessoas mais folclóricas e mais importantes da cidade sempre passam por ali. A característica de turismo do Mercado volta a ser valorizada com a sua restauração.

 

JM – O Mercado comemorou em outubro 138 anos. Qual a sua mensagem?

Fogaça – O Mercado Público é um dos mais importantes ícones culturais da cidade de Porto Alegre. Eu quero saudar a todos aqueles comerciantes que, ao longo de mais de um século, através de suas famílias, alguns através de seus pais e avós garantiram a qualidade dos serviços, a qualidade do comércio, o alto nível da oferta de produtos, que garantem ao Mercado Público uma grande tradição. Parabéns pelos 138 anos, parabéns pela restauração.

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