O Mercado é pop, a cerveja é pop!

Sempre digo que o Mercado Público é a cara da cidade. Não por ser um dos cartões postais, não pela tradição, nem pela diversidade de bancas e produtos, mas sim pela democracia que é exercida nos seus corredores e entorno.

 

BURGOMESTRE, por Sady Homrich

E, como a cara da cidade muda, o Mercado muda. Ainda há quem venha ao Mercado só na páscoa para comprar peixe, ou os que passam apressados para um cafezinho, lanche ou caldo, não importando credo, cor, raça ou classe social. Mas o dia a dia nos apresenta um cenário vivo com personagens peculiares, quase todos protagonistas, não importa o lado do balcão.

Era uma questão de tempo! Eu que acompanho esse movimento desde sua pré-história e sou cliente do Mercado, ansiava por incluir cervejas especiais na minha lista de compras. Isso tomou força há uns três anos, quando saiu um caderno especial encartado aqui mesmo, neste jornal,
chamando a atenção para o crescimento do número de rótulos e estilos nesse segmento. Essas cervejas, mais refrescantes ou mais encorpadas, com mais ou menos álcool, de diferentes cores e aromas, combinam perfeitamente com as diferentes origens do público que aqui circula. O gosto é seu, exerça-o à vontade. Minha sugestão é trocar quantidade por qualidade. Beba menos, mas beba melhor.

Quando me perguntam “por que são mais caras?”, eu respondo com outra pergunta: “no açougue, os melhores cortes não têm um preço mais elevado?”. Tem para todo o bolso e momento. Há cortes baratos muito saborosos, assim como cervejas, depende do objetivo! E nesse parque de diversões gastronômico que são nossas bancas, gosto de ficar brincando
com os sabores. Vamos falar um pouco sobre isso aqui, também. Não vou dar “regras de harmonização”, mesmo porque não existem. Quero convidá-los a experiências culinárias com ingredientes frescos e boas cervejas. Depois me digam o que acharam.

Todo ano encontramos uma gama de frutinhas picantes por aqui: pimenta-de-cheiro, biquinho, comari, dedo-de-moça, malagueta, cambuci. Mais ou menos picantes, são saudáveis e, assim como a bebida alcoólica, necessita moderação para não estragar tudo. Se você gosta de tornar sua refeição um pouco mais “divertida”, experimente um prato com uma pimenta do seu gosto com dois estilos de cerveja. Cuidado com as sementes, onde se concentra a capsaicina, alcaloide que é o principal fator de ardência das pimentas em fruta. Nos grãos, como a pimenta-do-reino, o responsável é outro alcaloide, a piperina.

Comece moderadamente, depois de pedir uma cerveja de trigo (Weizen, Weiss ou Wit), que tem leve acidez, boa carbonatação e sabores levemente frutados. Irá refrescar a boca. Depois, se quiser ir mais a fundo, peça uma English IPA, mais amarga, com lúpulos terrosos, que tendem a potencializar o sabor da pimenta. Como tem teor alcoólico um pouco maior, solubiliza e dilui mais rapidamente a pimenta.

Se arder muito, não adianta tomar água. Tome cerveja ou, se não quiser, tome leite. E não me xingue. Eu avisei para ir devagar…

Abraço do Burgomestre,
Sady Homrich
Que a fonte nuuuunca seque!!!

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