O mercado de antiguidades de Valparaiso

 O mercado de antiguidades de Valparaiso 

Sobrevivente a mais um terremoto Valparaiso, cidade tombada pela UNESCO, foi quase destruída pelo terremoto de 1906 e sobreviveu ao Tsunami de 2010. 

Felipe Daiello 

Famosa pelo contorno da baía e por ser local onde Pablo Neruda criou versos imortais, exige atenção pela arquitetura preservada de séculos passados. Mais interessante do que o mercado público, quase em ruínas, é visitar os velhos armazéns, prédios centenários aonde o progresso ainda não chegou.     

Logo na entrada da cidade, no calçadão da avenida principal, no tronco sul para Santiago, uma multidão de pessoas, um amontoado de tralhas jogadas nas calçadas, aquela confusão merecia uma parada.     Local de venda de mercadorias, uma torre de babel, oferecia de tudo, para todos os gostos e necessidades.    

Mercado de coisas antigas reunia uma parafernália de objetos, de peças, de equipamentos antigos: rádios, eletrolas, máquinas de filmar, de fotografar, telefones, acessórios.      

— Ainda funcionam — garantia o vendedor.     

Peças de equipamentos já superados, todas as bitolas e formas de parafusos; aquela peça de reposição, tão procurada, só aqui poderá ser encontrada.                    

Roupas antigas, as que a bisavó usava, muitas em boas condições, seriam a solução para baile a fantasia, para a festa surpresa da próxima semana.    

Alguns artesãos apresentavam produtos mais modernos: xales, blusões, lã pesada, mesmo grosseira.                          

Para colecionadores: além de postais, livros antigos, antiguidades, mesmo alguma raridade. Fotos de antepassados, já passados, quadros esquecidos e mesmo semijóias. É necessário garimpar com cuidado. Podemos encontrar preciosidades como fazia Pablo Neruda ao mobiliar suas casas.     

     Passeando no meio de vendedores de frutas e de refrescos, o prazer está não em comprar, mas em bisbilhotar os segredos dos outros, de tentar encontrar no meio do palheiro a agulha de ouro esquecida. Talvez perdido, camuflado, no meio de tantas quinquilharias talvez esteja aquele desejo da juventude ou mesmo da velhice. Talvez seja hora de iniciar uma coleção.     

Felipe DaielloAutor de “As Minhas Ilhas”Editora AGE  

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