O inverno com um sabor platino

 

REFEIÇÕES QUENTES

O inverno com um sabor platino

O argentino Júlio Teófilo, 59 anos, frequentador assíduo do Mercado, tem um gosto refinado e está sempre estudando sobre gastronomia. Há 35 anos no Brasil, conhece bem as bancas do Mercado, embora faça suas principais compras na 43, uma das pioneiras em especiarias. Ele e a esposa Elizabete estão religiosamente aos sábados no Mercado para se abastecer e levar as delícias que depois irão à mesa com todo o ritual de quem sabe e pode apreciar o que é bom. Ela acompanha, mas só ele cozinha, se esmerando no preparo dos pratos. Geralmente só fazem compras, mas quando almoçam preferem o Gambrinus, “pela cozinha honesta e o bom padrão de atendimento”.

 

    Assim como muitos outros frequentadores, o empresário procura no Mercado coisas que não encontra em outros lugares, como supermercados. Mas costuma comprar frios, queijos, temperos e massas especiais, charque, costelinha de porco defumada, salsichinhas e embutidos do tipo espanhol, como cantimpalo. Na banca San Remo, açougue, comprou pernil de vitela, um prato que deve ser feito ao forno ou na panela de ferro (ou barro). A vitela tem uma carne macia, pouco gordurosa, e deve ser previamente temperada, ensina ele. Para acompanhar pode ser um arroz, aipim ou um feijão tropeiro. Ou, se for uma opção mais refinada, um purê de mandioquinha ou batata doce. Mas ele também ataca no popular mondongo, que pode ser feito de várias formas. “Bem limpinho, para tirar o sabor forte, com cenoura, repolho e acrescentando uma linguiça defumada ou uma carne de porco”. Ele lembra ainda o tradicional espinhaço de ovelha, que é uma comida mais campeira, para fazer ensopada. E peixes, os quais prefere de água doce, para fazer no forno ou na grelha.

Diversidade de opções de comidas de inverno

    Como bom argentino, aprecia embutido de porco, ou seja, presunto cru, desde o Pata Negra espanhol, que é o mais famoso, até os nacionais da Sadia, argentinos e italianos. Para um dia de inverno, em volta de uma lareira, sugere uma copa fatiada, um salame italiano, um presunto cru, ou vários tipos de queijos, como provolone, parmesão, estepe, tirolez (mais forte) ou queijos mais cremosos, tipo brie, camembert e até mesmo coloniais gaúchos, de excelente qualidade. Lembra também que a estação é perfeita para fondues e comidas mais ao estilo francês, como racklet. Em relação à feijoada, ressalta que a culinária gaúcha tem vários ingredientes que permitem fazer uma receita diferenciada, mais gaudéria. E também não descarta um bacalhau, que costuma preparar ao estilo Zé do Pipo, desfiado, grosso, em lascas e depois misturado com refogado de cebola, sempre na base do azeite de oliva, mais um pouco de alho e purê de batata, tudo “bem misturadinho” para gratinar no forno.

 

Compras em família

     “Quem não conhece o mercado de uma cidade, não conhece nada. Viemos sempre aos sábados, é o nosso programa”, diz a esposa Elizabete, 53 anos, fiel companheira do marido nas investidas ao Mercado Público. O casal, às vezes, é acompanhado pelas filhas e neto. As compras, na verdade, se tornam um passeio em busca de produtos que dificilmente encontram em outros lugares, como acelga, repolhinho bruxelas para fazer em conserva ou mini berinjela, para dar um toque mais árabe. Para acompanhar essas maravilhas, Júlio prefere vinho, normalmente tinto, de alguma cepa mais encorpada – um cabernet sauvignon, um merlot e até um malbec. Nesta época do ano uma cerveja bock também acompanha bem muitos pratos de inverno, mas o vinho ainda é a bebida mais adequada, afirma. Para ele, o Mercado e inverno têm uma relação íntima. “Embora o ano todo o Mercado seja uma atração, no inverno atrai muito mais devido ao aconchego que ele oferece”, sintetiza.

 

Na foto, Júlio e a esposa Elizabete: diversas opções de compras no Mercado

Foto: Letícia Garcia

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