O histórico (e mutável) entorno do Mercado Público

Centro Histórico, por Emílio Chagas

 

Situado na área central de Porto Alegre, região que se sobressaiu ao longo de décadas como o centro político da cidade, o entorno do Mercado vem passando por várias mutações e repaginações desde a fundação de Porto Alegre. Alguns ícones permanecem, há mais de um século, contudo.

 

Foto: Acervo pmpa

No começo do século XIX, o cenário do entorno do Mercado Público era muito diferente. E muito mais bucólico. A navegação era intensa no velho Guaíba, e Largo dos Ferreiros era o nome daquela área pública, que se ligava ao Porto dos Ferreiros. Ali ficavam os comerciantes e navegadores, geralmente atendidos pelas ferrarias e oficinas. Além da permanente circulação, era também local de parada de barcos e carretas. Em 1811, conforme material explicativo da Secretaria Municipal da Cultura da PMPA, o local era denominado Praça do Paraíso, devido à existência de um prostíbulo – Casa Paraíso – localizado na vizinhança. Por volta de 1829, a área foi usada como depósito de lixo. Foi ali que se instalou, em 1840, o primeiro mercado da cidade, demolido para a construção, sobre o aterro do Guaíba, em 1869, do atual Mercado Público. A partir desse ano, a praça passa a ser denominada Praça Conde D’Eu, uma homenagem ao marido da Princesa Isabel. Em 1884, a então Companhia Hidráulica Porto-Alegrense instalou no centro da praça o Chafariz Imperial.

Foto: Vanessa Souza

Após a proclamação da República, em 1889, passa a se chamar praça XV de Novembro.

Ícones que fazem parte da história da cidade
São várias referências históricas que compõem o entorno. O Paço Municipal, sem dúvida, é uma das mais importantes. Símbolo máximo do poder municipal, o prédio foi inaugurado em 1901, para ser a sede da Intendência (atual prefeitura) e tombado como patrimônio cultural do Município em 1979. Projetado pelo arquiteto italiano João Antônio Carrara Colfosco e designado Paço dos Açorianos em 1973, tem estilo eclético e destaca-se pela sua suntuosidade e riqueza de detalhes. Outra importante referência do local é o Chalé da Praça XV, que também apresenta influências arquitetônicas do Ecletismo, Art Noveau arquitetutra pitoresca. Um dos grandes ícones da boemia porto- alegrense, em especial nas décadas de 30, 40 e 50, o Chalé foi construído em 1911, sendo ponto de encontro, no início, principalmente, da comunidade alemã e sua tradicional cultura do chope. Também ocupou papel de grande relevância o chamado Abrigo dos Bondes, que foi construído em duas etapas: a primeira em 1930 e a segunda em 1935, quando foi prolongado. Atendia aos usuários das linhas de bondes Floresta e Independência, com acesso pelo lado voltado para a Praça XV, e a linha para a Cidade Baixa e

Foto: Vanessa Souza

Partenon pela ala do Edifício Malakof. Servia, também, como ponto de confluência e baldeação. Hoje abriga lanchonetes, em sua grande maioria. Outros pontos-chaves do entorno mercadeiro são a Praça Parobé, outrora majestosa, e o Largo Glênio Peres, espaço público criado em homenagem ao jornalista, compositor, poeta e vereador homônimo, falecido em fevereiro de 1988. Com as obras de revitalização da Praça XV, espera-se que essa área histórica e central, atualmente bastante deteriorada, seja recuperada e devolva mais beleza ao Centro Histórico.

 

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