O Frescão do Centro

A tradicional sorveteria fundada pelo Sr. Tércio, o “Martini”, fez sucesso enquanto esteve ativa no Mercado. Seus sorvetes diferentes compunham um cardápio apetitoso, e, com o tempo, os negócios foram se ampliando até o término da sorveteria, ainda nos anos 1990.

 

Arquivo JM

Tércio Kauer era um comerciante de sacos plásticos que vendia os seus produtos para o Mercado Público e sonhava em um dia poder instalar sua loja nas dependências do prédio. Em meados dos anos 80, o espaço antes ocupado por uma banca de fumo no MP passou a ser de Tércio, onde ele vendia seus plásticos. Entretanto, na época, a prefeitura requisitava que qualquer banca do Mercado vendesse produtos ligados à alimentação. Para atender a essa exigência, em meio aos sacos plásticos o comerciante colocou um freezer de picolés.

Aqueles picolés fizeram tanto sucesso que ele resolveu abrir uma fabriqueta e iniciar uma produção de picolés artesanais para a sua banca. Porém, em razão do volume de vendas e clientes, em pouco tempo houve a necessidade de adquirir outra loja no Mercado. Na época, o tradicional bar Treviso estava fechado em função de dívidas com a prefeitura. Tércio resolveu assumir as pendências e comprou o ponto do antigo bar. Logo o local, que há muito tempo era o refúgio da boemia, frequentado por artistas e intelectuais da cidade, transformou-se na Sorveteria Martini, “o Frescão do Centro”.

O cardápio do “Frescão” ia dos tradicionais sundae e banana split até o sorvete de sucreme — feito com nata, mel e sucrilhos. A criatividade não parava por aí. Logo que chegou o inverno, ele decidiu oferecer tortas e chás para os clientes. Para suprir o horário de almoço, abriu, no mesmo espaço, uma galeteria, mas que não durou muito: por conta do alvará, que não permitia o funcionamento de restaurante, teve que ser fechada.

No ano em que as compras dos pós de sorvete foram antecipadas, o verão que se seguiu não foi dos melhores. Isso fez com que sobrasse muita mercadoria. Para resolver o problema, “Martini” decidiu porcionar o pó de sorvete em pequenas quantidades e vender na outra loja. Com isso, a Comercial Martini foi a primeira loja no Brasil a vender pós de sorvete em escala menor, para o público de casa, com todos os preparos.

Em 1994, com a reforma do MP, a prefeitura pediu o espaço da sorveteria para ser o canteiro de obras. Já em 1996, Tércio veio a falecer e, mais tarde, o espaço que outrora era da sorveteria foi ocupado. Temendo o insucesso da instalação da sorveteria em um segundo piso, que, na época, não era muito frequentado, o “Frescão” foi fechado, dando lugar a outra loja da família.

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