“O estacionamento é o gargalo do Mercado Público”

José Fortunatti – Secretário de Planejamento de Porto Alegre

O Secretário recebeu o Jornal do Mercado durante 40 minutos, tempo suficiente para abordar vários assuntos, todos referente ao Mercado Público. Revitalização do Mercado, estacionamento subterrâneo, Portais da Cidade, Plano Diretor, Programa Monumenta, criação da Praça Revolução Farroupilha e prolongamento da Avenida Borges de Medeiros até a Avenida Mauá, foram os assuntos dominantes. Aqui uma síntese do depoimento de Fortunatti:

 

Mercado Público – valor social da maior importância

O Mercado Público Central exerce uma importância econômica muito grande para o centro da cidade. Ele agrega o valor econômico, social, é um elo agregador e, indiscutivelmente, é um dos nossos tótens culturais de Porto Alegre. Como vice-prefeito pude acompanhar todo o processo da sua revitalização. Foi traumático mas trouxe, tanto para os comerciantes como o público e visitantes, um equipamento público em melhores condições. O fato de os comerciantes terem formado a sua própria associação foi muito relevante. Antes a prefeitura tratava com cada comerciante de forma individualizada, sem a visão do todo. Isto despontencializava o Mercado. A relação organizada da Prefeitura com a Associação qualificou as ações.

Nota da Redação: O Secretário informa também que ainda não estão esgotadas as discussões e os estudos em relação à matéria. Acrescenta que, além disso, estão sendo agregados 120 núcleos (áreas) para dentro do projeto do Plano Diretor, como uma fase de transição. Depois de aprovada a nova lei a Prefeitura terá 18 meses para apresentar um reestudo das áreas de interesse cultural, quando, então, será apresentado um novo projeto de lei para a Câmara de Vereadores, aí de uma forma mais definitiva. Neste período o Secretário acredita que a própria cidade possa ter aprofundado um pouco mais a discussão sobre a questão porque, para ele, hoje a maioria da população desconhece o assunto. Segundo Fortunatti, é importante também que hajam políticas públicas dentro da questão dos bens tombados, criando- se incentivos para a preservação “porque só declarar um bem como patrimônio cultural não garante a sua preservação”, conclui.

Plano Diretor e as Áreas de Interesse Cultural

No Plano Diretor da cidade uma das discussões mais difíceis foi em relação às áreas de interesse cultural. Porque, infelizmente, para alguns o “velho” deve ser derrubado. Como se o “o velho”, que é o antigo, ou seja,  o “velho” preservado, não resgatasse a história da nossa cidade, a sua conformação social, cultural e étnica.  Mas felizmente, inclusive por pressão da sociedade, conseguimos um grande acordo entre todas as partes envolvidas para que as áreas de interesses cultural fossem abrigadas pelo Plano Diretor. Além das áreas configuradas com bens tombados, também foram demarcadas aquilo que estamos chamando de áreas de  ambiência cultural, que vai garantir que no seu entorno tenhamos um regime urbanístico que ajude a preservar as áreas de interesses cultural. Isto foi um grande avanço.

Programa Monumenta – É preciso avançar mais

É um projeto importante, já há 10 anos sendo implementado na cidade, desde o tempo do prefeito Raul Pont, quando eu era vice-prefeito – me lembro muito bem. Não tenho dúvidas que esta relação entre Prefeitura e governo Federal na restauração de vários prédios públicos e privados avançou bastante, mas ainda muito aquém das necessidades de Porto Alegre. A grande questão agora, por parte do poder público municipal, é ampliar com o governo federal a sua relação no que diz respeito ao Programa Monumenta. Isto pela definição mais clara do que é exatamente áreas de interesse cultural, que merecem esta preservação. Isto vai tornar mais transparente a nossa relação com o governo federal, e mais fácil a vinda de recursos para que o Monumenta possa se expandir na cidade. Nas últimas discussões feitas nessa área não se conseguiu avançar, não tanto por falta de recursos por parte do governo federal, mas por falta de definições mais claras sobre quais são os prédios que merecem ser preservados e restaurados na cidade de Porto Alegre. Acho que neste sentido o Plano Diretor avança um pouco mais.

Estacionamento subterrâneo no Largo Glenio Peres – estudos em andamento

Hoje temos uma discussão sobre o Largo Peres, ainda não finalizada, de tensões normais entre o desejo dos comerciantes do Mercado Público pela construção de um estacionamento e de outro de grupos organizados da sociedade, que desejam a sua preservação. O passo a ser dado é buscarmos dados técnicos sobre a possibilidade de construir um estacionamento subterrâneo para que possamos atender todos os interesses existentes no entorno do Mercado, e eu acho que esta saída ainda é a mais razoável. E para isto contamos com a presença aqui na Secretaria do Planejamento do engenheiro Bruno Ribeiro, especialista no assunto. Porque eu concordo com o que dizem os comerciantes quando afirmam que a questão do estacionamento é vital para a própria sobrevida do Mercado Público, mas ao mesmo tempo também, concordo com aqueles que querem preservar o Largo Glenio Peres como um espaço de atividades culturais, políticas e sociais. Eu já ouvi de alguns grandes construtores de garagens subterrâneas, que estão construindo em São Paulo, que hoje já existe uma tecnologia muito avançada que permite vencer as dificuldades que até então eram apontadas para realizar uma obra desta natureza ali. Em primeiro lugar com capacidade de vedação completa nas paredes do estacionamento e um bombeamento a ser feito de forma permanente, com grande segurança. Estes construtores me citaram exemplos de estacionamento subterrâneos, com três a quatro andares, embaixo da terra, construídos em regiões próximas a lagos e rios. Então, uma das pretensões da SPM é realizar uma licitação internacional para trazer uma empresa que faça um estudo técnico e diga se tem ou não tem condições. Se tiver, vamos partir para uma parceria público-privada para construir o estacionamento subterrâneo, sem nenhum custo para o poder público. Seriam criadas milhares de vagas, o que dinamizaria o Mercado, porque isto diz respeito também à segurança, ao trânsito, com a criação de uma passarela subterrânea que sairia do estacionamento direto no Mercado Público.

Novidades no entorno do Mercado Público: praça nova, ligação da Borges com a Mauá, Portais da Cidade

Vamos abrir a Praça Revolução Farroupilha, ali ao lado do Trensurb e uma outra via, onde hoje está o posto dos Bombeiros. Será uma continuação da Borges de Medeiros, até a Mauá, para permitir que o transporte coletivo faça o enlaçamento total da praça, que será dinamizada, se transformando num ponto de encontro, com um grande espaço de concentração urbana. Isto estaria agregado ao chamado projetos dos Portais da Cidade, que pretende reduzir o número de ônibus que hoje chegam ao Centro. Com a formação dos Portais, em vez de cinco ônibus, praticamente vazios transitando pelo centro, teremos um com mais passageiros, apanhados em veículos nas estações de transbordo, que sairão de cinco em cinco minutos. Isto aliviará em muito a tensão e a pressão que hoje o transporte coletivo exerce sobre o centro da cidade e o Mercado Público.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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