Novembro 2010

 

Vitorino do Bem – português, representante comercial, passeando com o amigo Og pelos corredores do Mercado: Eu sou do tempo do velho Mercado. Gosto de comprar no Mercado. Nasci numa cidade portuguesa, que também tinha um mercado. Sou filho de dona de banca no Mercado do Porto. Em Portugal, há mercados antigos de arquitetura muito interessante, há alguns mais típicos na cidade do Porto e de Lisboa. E outros mais a céu aberto.

 

Og de Melo Fernandes, fiscal federal aposentado, luso descendente: Eu venho aqui matar a saudade. Eu vinha aqui com o meu avô, aqui na salada de frutas do seu Martins. Tinha uma padaria ali adiante, Biju, era do Armando, ele dizia: “pão se compra em padaria.” O meu avô era um grande gozador. Ele dizia ao Martins “Seu Martins vamos a trabalhar. Temos que ganhar um dinheiro. Ainda que seja honestamente”. Eu estou morando em Florianópolis, ensino aos manés, coisas que eu aprendi com o meu amigo Vitorino. Você pega a cabeça com espinhaço do salmão. Tira com o garfo a carne, ferve com batata. Tu faz uma maionese de salmão pelo custo de três a cinco reais. Outra dica é pegar a folha de beterraba. Pica, coloca na panela com alho e um fio de óleo, ferve e abafa. Pica e come, é melhor que couve. E os caras colocam fora.

 

Claudia de Freitas Moreira, 43 anos, contadora. Acompanhada de sua mãe, Zenilda Freitas – 66 anos, tomando um cafezinho no Mercado: Eu acho o Mercado um ambiente bem legal, para as pessoas que vêem e gostam do estilo que ele oferece. É um ambiente para conversar e se encontrar com amigos e almoçar. As bancas do Mercado são tradicionais. Acho que carece um pouco mais de limpeza e organização. O andar de cima, nos restaurantes tem bastante cheiro, do próprio peixe, tem que diminuir, não sei como, mas deve haver formas. Gostamos de ir nas bancas com especiarias e nas bancas de furtas e legumes. Mas, eu sempre costumo vir aqui (Café do Mercado), para um cafezinho.

 

 

Magali Beatriz de Lima Borges, 34 anos, técnica em enfermagem, esperando o seu lanche  na padaria Pão de Açúcar: O Mercado é um símbolo da cidade, onde todos se encontram. Tem uma referência histórica, inclusive para a questão dos negros. É um marco para os negros. Com essa nova roupagem está excelente, mas poderia ser bem mais aproveitado, ficar aberto 24 horas. No Centro a partir da meia-noite, você não encontra nenhum lugar para beber alguma coisa, um lugar de encontros não tem. Quem vem à noite, não vai encontrar o Mercado aberto. É uma forma de geração de renda e no meu ponto de vista, a gente perde muito com o ele fechado. O estacionamento agora está bem melhor.  Essas feiras que acontecem aqui deveriam ser permanentes aqui. Gostaria de mais atividades culturais aqui. Vou no (restaurante) Marco Zero pela questão da música popular e o bom ambiente.

 

 

 

Renato de Souza Muniaz, 51 anos, contador, almoçando na Lancheria Metrô: Eu sempre estou aqui, em volta do Mercado, por causa do meu trabalho. Venho sempre fazer minhas refeições aqui. É um lugar seguro e tem muitas coisas para oferecer e aqui é muito bom o atendimento. Às vezes eu vou a outros lugares para conhecer também. Vou seguido no Naval. Quem estava sempre por ali e tem umas fotos é o Lupicínio Rodrigues e o Olívio Dutra. São várias bancas, com diversas coisas e preços bons. Aqui no Mercado tem toda uma história na cidade e a tendência é melhorar mais.

 

 

 

Alexandre Medeiros, 47 anos, estilista – turista do Rio de Janeiro, pela segunda vez em Porto Alegre: A primeira vez que eu vim aqui, foi mais por indicação, pois o Mercado é um ponto turístico, e isso me interessa muito, esse tipo de contato, de cultura que eu acho muito bacana, eu vim conhecer a primeira vez. Voltando agora a Porto Alegre, eu fiz questão de voltar aqui. Eu acho lindo, acho bárbaro, acho muito legal essa movimentação em torno de algo histórico, a gente até estava conversando (com seu colega de mesa), se a origem sempre foi Mercado, eu acredito que sim. A arquitetura é muito interessante. Tem também a culinária, o que você percebe nas bancas, enfim, coisas que você encontra só por aqui. Para mim é prazeroso vir aqui. 

 

 

 

 

Cesar Augusto Leonel Santana, 49 anos, comerciante, almoçando no restaurante Nova Vida: Eu acho o Mercado muito bom. O ambiente, a localização. Frequento aqui, o Nova Vida, a banca 40, a 38, a 12, mais uma de frutas ali na esquina, basicamente essas. Depois da reforma o Mercado ficou muito bom. Mas, acho que na parte comercial, acredito que ainda poderia melhorar. Muitos espaços vazios e o aproveitamento muito baixo. A parte comercial acredito que tenha que ter um pouco mais de calor. Estacionamento, que já estão tomando algumas medidas, que é fundamental.

 

Fotos: Gabriel Reis

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