Nova Casa

Pelo centro da capital gaúcha passam, diariamente, centenas de pessoas. Entre turistas e locais, existem aqueles que, mesmo vindo de outros lugares, escolheram Porto Alegre para viver e adotaram o Mercado Público como um ponto obrigatório em suas vidas.

 

 

Valéria Barroso

A carioca mora no Rio Grande do Sul já há muitos anos. “Sou uma cariucha”, brinca. Ela vem ao centro da cidade uma vez por semana e se diz impressionada com a violência que está tomando as ruas. “Infelizmente, daqui a pouco não vamos conseguir andar por aqui tranquilos. A situação está alarmante”, diz.

No meio dessa insegurança, Valéria conta que no Mercado Público ela se sente um pouco menos exposta, que o lugar dá uma sensação de aconchego e, por isso, não sai do seu roteiro semanal. “E, além de tudo, aproveito para comprar os meus produtos naturais que tanto gosto.”

Das bancas que não pode ficar sem passar, Banca 26, Banca 40, as floras, com seus diversos chás, e os cafés elencam a lista. “Se der fome, eu vou ali no Gambrinus, que é bem tradicional; se der vontade de comer uma ‘porcaria’, tem diversos armazéns de doces. Então, se você vem aqui, encontra tudo que precisa em um só lugar.”

E finaliza: “o Mercado é bem completo, é um ‘shopping popular de alimentos’. Além disso, é o ponto mais tradicional da cidade”.

 

Júlio Augusto de Moraes

Na correria da sua rotina, Júlio Augusto sempre tenta encontrar um tempinho para cuidar da saúde e do bem-estar. Para isso, conta, vem ao Mercado Público semanalmente fazer compras. “Acho importante ter uma alimentação equilibrada, e aqui os produtos tem muita qualidade e uma grande variedade de coisas orgânicas e naturais. Além disso, sou fã dos produtos coloniais do Empório (38)”, diz, enquanto faz o pedido ao atendente.

Ele é empresário e tem 39 anos. Apesar de ser natural de Santa Maria, mora na capital desde os 19 anos de idade. “Me considero porto-alegrense e minha relação com o Mercado sempre foi muito próxima. Vinha com meu pai quando criança, agora trago minhas filhas. É um hábito que vai passando por gerações”, relata.

No entanto, Júlio se entristece ao falar sobre o Mercado dos últimos anos. “Acho uma pena ter acontecido o incêndio, mas sinto que a administração pública também não está se esforçando o suficiente para recuperar o prédio. Já faz três anos, sabe? Em alguns pontos parece que o Mercado foi abandonado, fico bem triste com isso. Fica a esperança de que isso logo mude”, finaliza.

 

Fotos: Vanessa Souza

 

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