No tempo da Coreia

Foto: Letícia Garcia

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Os pescados sempre foram uma das principais atrações do Mercado Público. Antes do uso extensivo da refrigeração e da expansão dos supermercados, o prédio central era o lugar onde se encontrava peixe qualidade. A pesca fresca chegava pelos portões e o público se aglomerava nas bancas de pescados, que, por muito tempo, viveram em um mundo quase à parte do Mercado – a Coreia.

 

Os pescados eram vendidos na parte de trás do Mercado, na famosa Coreia ou Bancas de Pedra. Na época, 28 bancas dividiam um corredor só de peixes feito com mesas de pedras, que não tinham nome e nem dono fixo: tudo era uma grande parceria, na qual um vendia para o outro.  “Ninguém era dono de nada. Os peixeiros ficavam esperando para entrar e, quando abria, jogavam um tamanco para marcar a banca”, conta Carlos Roberto Ferreira da Silva, mais conhecido como Beto Banana, dono da peixaria Beto Pescados. Beto é herdeiro de peixeiros do Mercado: antes de fundar a Rainha do Mar, seu pai, Paulo Nunes da Silva (o Paulo Banana), trabalhou no que foi talvez primeira banca de pescadores fora da Coreia, a Banca 2, de Nicolau Ignácio da Silva, o Niquinho.

O nome “Coreia” era uma homenagem ao Beira-Rio, que destinava um espaço com os preços mais baixos aos torcedores de pouca renda.  Na Coreia, tudo tinha um horário: as vendas começavam às 9h ao som de um sino e os peixes eram vendidos até às 11h, quando começaram a passar os fiscais para cortar os rabos – sinal de que não poderiam mais ser comercializados.

Com os anos, houve mudanças, principalmente dos preços. “Eram as peixarias dos pobres, que tinham os peixes mais simples. Eram 3 kg de peixe a R$ 1. Pegava 50, 100 caixas e vendia tudo”, lembra Cezar Brandão, peixeiro da Japesca.  Em certo momento, as peixarias mudaram de região e foram para a área central, deixando a movimentação do Mercado muito intensa. Os hábitos de consumo do peixe também foram alterados: antes, os que mais saíam eram os peixes inteiros – tainha, pintado, corvina. Hoje em dia, são m ais procurados filé de pescada, anjo, abrótea, os peixes mais nobres.

O fim dessa era ocorreu quando as 28 bancas existentes foram divididas. Como o espaço era pouco, vários proprietários foram colocados numa só banca, formando as peixarias que encontramos hoje no Mercado.

 

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