Natal, também uma festa portuguesa

Especial de Natal

 

Angelo, lembranças do Natal da infância

A influência portuguesa no Mercado é fortíssima, talvez a maior, com inúmeros imigrantes chegados diretamente do além mar. Como Angelo Sousa, que aqui aportou em 1962. Nascido em Portugal, veio para cá com apenas sete anos, deixando os pais para trás e, como tantos outros, tentar a vida. Lembrando do natal da sua infância, com lareiras e neve nas montanhas da cidade onde se criou , 47 anos depois, Angelo é um bem sucedido mercadeiro, tendo estado à frente muitos anos da Padaria Copacabana. Lembrando que o Brasil hoje é o segundo maior consumidor de bacalhau no mundo, ele aponta o peixe como a grande sensação do natal.

Ele começa dizendo que o natal em Portugal é uma festa muito familiar. “Acho que é mais do que no Brasil, aqui é muito comercial. Lá as famílias se reúnem na casa dos pais para confraternizar, muitos que trabalham em outros países da Europa, na França, Espanha, etc, vão especialmente para o natal”, conta. E a gastronomia na grande noite é bem variada e rica. Em todas as casas, diz, tem vários pratos, onde o que não pode faltar é o bacalhau à portuguesa, cozido com legumes, couve, batata, cenoura e regado com um bom azeite português. Assim como a maioria dos portugueses, o bacalhau é a paixão de Angelo. E a grande dica para o natal. “É o mais saudável, cozidinho com legumes, ervilha torta, ovo. O segredo é saber debulhar o bacalhau para que não fique salgado. Compra o peixe inteiro, coloca a parte grossa, o lombo, por 70 horas na água, trocada de seis em seis horas, de preferência água corrente”, ensina ele.

Outros pratos
Além do bacalhau, que pode ser feito com “mil receitas”, segundo Angelo, os portugueses também tem outros pratos para o natal. Peru ainda é muito tradicional por lá. Aliás, segundo ele, os natais, lá e aqui, são muito parecidos. Troca de presentes junto à árvore com presépio, o espírito religioso, a missa do galo, a família reunida. E lá também se aproveitam as sobras da ceia do natal. “A festa vai até as tantas da manhã. No outro dia, todo mundo ainda com um pouco de ressaca vai aparecendo para comer os “farrapos velhos”, como se chamam as sobras lá”.
Os drinks e sobremesas. É réveillon.
Os portugueses também tem muita tradição em sobremesas e aperitivos. Vinho do Porto e champanhe para começar ou para acompanhar a sobremesa são os mais comuns. “Sobremesas que em casa nenhuma podem faltar são a rabanada e a aletria, uma massa fininha, feita da mesma forma como se faz o arroz doce. E também o pão-deló e um bolo feito à base de frutas sêcas e frutas cristalizadas”, diz ele. Ainda em relação às bebidas, cita a bagaceira, uma aguardente muito apreciada nas terras lusas, como um excelente digestivo após as refeições. Já as festas de ano novo lá são um pouco diferentes, diz Angelo. “Já não é tão familiar. Lá se costuma muito viajar, os hotéis tem programação de réveillon. O natal é mais para comemorar e o ano novo é mais festivo”, conclui. Mas, claro, sem esquecer os bolinhos de bacalhau.

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