Nas ondas do surf about

PAPO DA IPANEMA 94.9

Nas ondas do surf about

       Ele é o terceiro surfer repórter da Ipanema e define-se como alguém altamente comprometido com o surf. Cristiano Figo Pedroso publicitário, trabalha com surf há 25 anos. “Comecei na extinta rádio Felusp, atual Pop Rock, no comercial. Faltou um locutor e acabei pegando na hora, em 1997”. Ali começava a sua carreira. Depois trabalhou por quase 10 na Atlântida, voltou para a Pop Rock e agora está há quatro meses na Ipanema.

 

   “Faço o programa Surf About nas sextas-feiras e o Boletim das Ondas, direto de Santa Catarina, o único do estado com prestação de serviço das condições do mar e tempo. Tenho curso de técnico de surf, de salva-vidas e de árbitro de surf em dois níveis, amador e profissional. Meu trabalho no surf é fortalecer o segmento, os atletas locais, promover quem faz o surf fora e dentro d’água. Temos dois artistas locais de ponta, ainda em atividade que são o Rodrigo Dornelles, o Pedra, que tem 37 anos e o Daison Pereira, que tem 35 anos e corre o circuito brasileiro e o circuito profissional. Trabalho em cima das questões do surf, voltadas para o estado. Um dos assuntos que a galera fala muito, é o das redes de cabo de pesca. Eu acho que a maior culpa é do surfista, não do pescador. Quem tem que se adequar é o surfista, que tem que surfar onde é próprio. Quando tu faz um esporte de risco tem que ter aquela margem de erro. Por quê o paraquedista salta com dois paraquedas? Porque ele não pode falhar. O cara que está surfando tem que ter um domínio. A situação de natureza do mar do Rio Grande do Sul é única. Não existe nenhuma praia do mundo, é uma praia reta. Circula tudo por corrente marítima, desde tubarão, todos os tipos de peixes, de algas.

 

Litoral gaúcho não ajuda a prática do surf

      A coisa já é errada no estado porque não tem um turismo na beira da praia. Por exemplo, Santa Catarina é muito mais atrasada que o Rio Grande do Sul em muitas coisas, como a medicina, o esporte. Mas porque que eles são mais adiantados no turismo? Porque é a única forma deles ganhar dinheiro. Então se passar a divisa, de Torres em diante, já tem placa de orientação. Agora tu sais da freeway e não vê nenhuma placa. Aí dizem: ah, só fala na serra. Mas a serra tem coisas para oferecer, restaurantes, hotéis, cinemas. O que a praia tem para oferecer no inverno? Não tem um hotel legal, uma atração. Ah, tem a Festa do Peixe… Torres é mais bela praia daqui, tem universidade e não tem um shopping. É uma vergonha! Vai a Joinville, Tubarão tem. E a BR 101 está um doce para viajar.

 

O surf hoje

      Eu vejo a imagem do surf muito comercial, até porque o esporte e o mercado cresceram. Aqui é o Estado que mais consome surf no Brasil e o estado que mais vende produto surfwear, que é o derivado, tirando São Paulo. A gente tem hoje mais ou menos 400 pontos de vendas de surf no estado, entre capital, interior e litoral. Lojas que vendem ou marcas de surf (produtos) ou acessórios do surf. Então, eu acho inconcebível chegar numa loja que se diz de surf shop de um shopping e não ter uma prancha. Tem marcas de roupas, de óculos de surf, marcas de skate, mas a essência do esporte, que é uma roupa de borracha, não tem. Esta é a minha bronca: a base, o pilar do surf é o fabricante, e tudo surge dali. Ele é o termômetro. Se ele está fazendo bastante prancha é porque o mercado está aquecido.

 

A importância dos campeonatos para movimentar o esporte

    Porque que o campeonato é importante? No momento que tu apóias os eventos locais tu estás criando movimentação com as pessoas que estão envolvidas com o processo, sejam marcas, design – tu chegas na alta performance através da competição. Porque não tem hoje o mercado aquecido? Porque essa bola de neve não acontece? Quando não tem campeonato, tu esfria. O Rodrigo Dornelles, que é o maior nome do Rio Grande do Sul em todos os tempos como esportista, como a Daiane é na ginástica, porque ele explodiu? Porque a geração dele, todo fim de semana tinha um campeonato, tinha aquele circo. E quando parou os grupos que faziam efervescer, a base, também parou. E hoje a gente tem muito poucos eventos. Hoje existe um consumo e não uma prática.

 

Soluções para o surf

       Para mudar este quadro aqui no estado tem que fortalecer as escolinhas de surf, levar para os currículos pára os colégios particulares, ter uma cadeira de extensão numa faculdade de educação física. Talvez assim a gente consiga aumentar o número de prática. O surf aqui no Rio Grande do Sul só acontece no verão e as melhores ondas estão na temporada outono-inverno, quando a galera já não vai tanto para a praia. O grande problema é o litoral e a sua falta de atrativos. Se ele tivesse 10% do “Ibope” da serra, a realidade seria outra. Quando comecei não tinha nem telefone no litoral. Em 1991 eu mandava sweel fax, recebia um boletim, assim como os profissionais que se cadastravam. Hoje com a Internet, o cara clica em qualquer site e tem as condições do dia e da hora.  A globalização entrou no surf também. A indústria do surf hoje é mundial. É como a Fórmula 1, as grandes empresas é que dominam. Para trabalhar com o surf, tem que ter amor e comprometimento. E a maioria não tem. Hoje o cara ser surfista é um orgulho, vive com a natureza, se cuida. E a Ipanema, a rádio onde mais me encontrei, é a que tem mais credibilidade com os surfistas. E nossa idéia é dar uma visibilidade para os atletas.

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