Música: O menino Paulinho Pires

Ele é um músico que faz uma bela síntese da música regional com o samba de boemia, além de ser um exímio no manejo de um estranho instrumento o serrote. Romantismo e meio-ambiente são os temas preferidos deste compositor que busca reminiscência na infância de menino na beira dos rios.

Paulinho Pires, 74 anos, poeta, compositor, instrumentista, intérprete, autor de mais de duas centenas de canções com temáticas regionais e boêmias, destaca- se também como um exímio instrumento de serrote e tem um CD gravado, “Paulinho Pires, Versos e Cantigas” Uma de suas músicas mais conhecidas, “Súplica do Rio”, apresentada na longínqua 8ª Califórnia da Canção, é considerado “o primeiro grito ecológico” dos festivais gaúchos. Rara figura humana, Paulinho, como é mais conhecido, nasceu na Ilha do Cônsul, no Delta do Jacuí. Depois aos 4 anos foi morar na Ilha das Flores, onde passou boa parte da infância. As 5 anos começou com a gaita de boca e gosta de lembrar que cresceu em contato com a natureza. Aos 16 ganhou um violão com o qual participava de festas, casamentos, quermesses, folias de carnaval e bailes tocando vanerões, xotes e serenatas. “Tenho um pé no campo outro na cidade”, diz. De fato, da Ilha viu Porto Alegre crescer, ao mesmo tempo que do outro lado olhava o campo.
Mas 20 anos veio para Porto Alegre, quando começou a tocar com o Grupo de Arte Nativa Estância da Amizade, começando também a tocar serrote, e iniciando suas apresentações em público. Compôs o samba “Vagabundo”. Muito ligado na natureza, acha altamente elogiável a iniciativa dos colégios que “levam a gurizada para fazer trilhas, conhecer a natureza.” Paulinho fica triste quando fala dos peixes mortos nos rios, como aconteceu recentemente no Rio dos Sinos. “A gente que se criou pescando lambari nas beira do rio”, diz, lembrando de uma música que vai estar no seu próximo CD, “Moleque Ribeirinho”, onde mostra a preocupação com os meninos, com a infância, o futuro e a ecologia. O próximo CD se chamará “O Navegador do Rio Esperança”, título que já resume os principais temas e preocupações deste eterno menino Paulinho. O CD sairá em outrubro pelo FUMPROARTE, com 15 músicas, entre elas o samba “O Vagabundo”, que compôs em 1962, quando já andava às voltas co m o violão, e o pai lhe disse ao vê-lo tocando: “Tu está ficando vagabundo”

Paulinho acompanhou bem a história do Mercado. “Uma das grandes coisas foi esta reforma do Mercado. Está uma beleza, mas acho que ele não está sendo bemaproveitado no sentido de ter mais vida musical. Nos 52 anos de noite a gente que conviveu com a música, sente falta de Porto Alegre à noite. Me sinto como um cusco perdido na mudança”. Lembra do Treviso, do Graxaim, grandes templos da boêmia do Mercado. Paulinho diz que quem for em alguma cidade e não passar num mercado, não conheceu o povo. Das lembranças do Mercado não poderia faltar Lupicínio Rodrigues, a quem ele se refere carinhosamente como “o negrinho da Ilhota”. Para ele fez uma música onde encaixou 15 de títulos das músicas do mais importante compositor gaúcho, chamada “Cantiga para Lupi”, que também consta do próximo CD.

 

Sabedorias de Paulinho

  • Muita gente se preocupa com o espelho do físico, mas esquece o espelho da alma.
  • Se vou numa fazenda, antes de chegar na casa grande, gosto de chegar no galpão.
  • A gente deve carregar dois bolsos, um para as negativas outras, negativas – as primeiras se larga no lixo, as últimas se leva pra casa.
  • Nó Paulinho Pires, registro por Augusto Fagundes, no IGTF.
  • Pensamento: uma figueira nativa plantada com amor e afeto é a herança mais bonita que o avô deixa pro neto.

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