Museu Joaquim José Felizardo Um museu vivo e aberto

Centro Histórico, por Emílio Chagas

Museu Joaquim José Felizardo
Um museu vivo e aberto

Abrigado no histórico Solar Lopo Gonçalves, prédio construído por volta de 1850 junto à antiga Rua da Margem, hoje a boêmia João Alfredo, na Cidade Baixa, o Museu Joaquim José Felizardo foi inaugurado em 1982. O prédio, tombado em 1979, foi construído para servir de residência de Lopo Gonçalves, e parte da casa também servia de senzala para um grande número de escravos que ele mantinha. O então antigo Museu de Porto Alegre em 1993 passou a se chamar Museu de Porto Alegre Joaquim José Felizardo, em homenagem ao historiador e criador da Secretaria Municipal de Cultura. 

 O museu é, além de espaço de história, espaço de encontros com a cidade.

Ultimamente o Museu vem acolhendo um grande número de pessoas, em função dos Picnics Solidários nele realizados, promovidos pela Associação Cidade Baixa em Alta – levando um público predominantemente jovem a ter contato com ele, talvez pela primeira vez. Desde março de 2013 ele vem sendo dirigido pela socióloga Liane Klein. “Tive a alegria de receber um equipamento cultural bem preservado, com um espaço físico privilegiado, com um acervo considerável e projetos de educação patrimonial e acessibilidade já em andamento. Meu desafio era mostrar à população o que talvez ainda não conhecessem, através da concepção de um Museu vivo e aberto, com grande circulação de público, no qual as pessoas pudessem se apropriar e contribuir para sua continuidade e ampliação” diz Liane, que também é Coordenadora do Viva o Centro a Pé, uma das ações do projeto de revitalização do Centro Histórico, dentro do programa Viva o Centro. A primeira atividade com a Associação foi em julho de 2012, que propôs “um singelo picnic no Museu”, e foi realizado com apresentação do Grupo Teatral Corsário InVersos e um público aproximado de 300 pessoas. Estava aberto o caminho. “De lá para cá, os eventos cresceram e com um grande e variado público de até 2.000 pessoas a cada edição. O Museu entra com o espaço, com a memória e com a vontade de compartilhar a história da cidade e o espaço privilegiado que temos com a comunidade, turistas e com quem mais chegar para confraternizar e prestar solidariedade aos que precisam”, diz, e acrescenta: “Nestes dois anos de parceria, foram arrecadadas muitas toneladas de alimentos e milhares de peças de roupas, destinados às entidades assistenciais”.

 

A socióloga Liane Klein, diretora do museu, na entrada do prédio.

Fotos: Thaís Marini Maciel

Parcerias culturais e estrutura interna

 

Por sua vez, a Associação Cidade Baixa em Alta entra com toda a estrutura necessária à realização das atividades, inclusive com os custos. Como resume Liane, “o Museu ganhou seu público, a cidade, seu Museu, e o bairro é revitalizado e valorizado a cada atividade”. Além desse, o Museu tem vários projetos em andamento, todos abertos ao público, como Educação Patrimonial, com parcerias com a Secretaria Municipal do Turismo e a Carris para a realização dos projetos Turismo Fazendo Escola e Territórios Negros; o projeto Caixas de Memória, o qual leva um “pedacinho” do Museu e da história da cidade até as escolas públicas; as visitas mediadas para grupos diversificados como estudantes de Ensino Fundamental, Médio e Graduações, grupos de profissionais da área de turismo e interessados; palestras; cursos e oficinas, conforme relaciona Liane. O Museu também conta com projetos e uma satisfatória estrutura para acessibilidade. Foram firmadas parcerias com a UFRGS para a reprodução de objetos históricos do acervo em tecnologia 3D, como forma de preservação dos originais e acesso às réplicas através do toque para pessoas com deficiência visual e baixa visão. Além disso, um elevador para cadeirantes, banheiros especiais, catálogo em Braille e sistema de audiodescrição. “Quanto à pesquisa, nosso acervo tridimensional de objetos arqueológicos e nosso acervo de imagens digitalizadas são constantemente buscados por pesquisadores e outros profissionais de várias áreas de conhecimento”, acrescenta.

 

Escarradeira ou cuspideira em porcelana européia do final do século XIX. Eram colocadas no chão, ladeando os sofás da sala, e nos gabinetes de fumantes das casas.

Acervo e projeções para o futuro

 

Atualmente com duas exposições de longa duração, “O Solar que Virou Museu” e “Transformações Urbanas: Porto Alegre de Montaury a Loureiro”, o Museu recebe, periodicamente, exposições de outras entidades e instituições com temáticas afins e que ocupam os jardins do Museu, já que ele não dispõe, no momento, de espaço interno para exposições temporárias. Em relação ao acervo, Liane explica que o do Museu Joaquim Felizardo é composto por objetos tridimensionais históricos (aproximadamente três mil peças) e arqueológicos (130 mil peças), além de imagens dos séculos XIX e XX (cerca de oito mil imagens), digitalizadas em alta definição e disponíveis ao público para pesquisa pelo sistema de autoatendimento através do Acervo Digital. E mais a excelente Fototeca Sioma Breitman, cujo acervo cobre em torno de um século, composta de cerca de 40 mil fotos. Mostras e acervo são procurados por um público numeroso e diversificado, segundo ela. “Nas atividades culturais, realizadas aos sábados, por exemplo, recebemos muitas pessoas. São famílias inteiras, grupos de amigos, turistas, moradores do bairro e pessoas vindas da região metropolitana, de faixa-etária variada”. Porém, o maior projeto é a ampliação do Museu. Feita pelos arquitetos Julio Collares e Dalton Bernardes, ela prevê espaços para pesquisa e documentação de acervos, laboratório e reserva técnica, exposição e atividades culturais, cafeteria e pátio de lazer. 

 

O acervo tem aproximadamente 3 mil peças históricas, 130 mil arqueológicas e 8 mil imagens dos séculos XIX e XX digitalizadas, além das 40 mil fotos da Fototeca Sioma Breitman.
 

Museu de Porto Alegre Joaquim Felizardo

Rua João Alfredo, 582,

Bairro Cidade Baixa, Porto Alegre/RS

Telefone: (51) 3289.8271

Aberto ao público de segundas a sextas-feiras, das 9h às 17h30 e, excepcionalmente, aos sábados de programação cultural. Entrada Franca.



Fotos: Thaís Marini Maciel


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