Museu de Percurso do Negro: tambor ecoando a história negra

A comunidade negra da cidade teve uma grande vitória com a implantação da primeira fase do Museu do Percurso do Negro em Porto Alegre: neste mês foi inaugurado o monumento o “Tambor”, na praça Brigadeiro Sampaio, que nos tempos da escravidão era conhecida como Largo da Forca, onde os negros sentenciados e condenados à morte eram enforcados.

 

“O projeto é o primeiro marco escultural de referência negra na cidade”, afirma Flávio Teixeira, o Coordenador Gestor do Projeto e secretário executivo da ONG GT Angola Janga. Ele lembra que assumiu estes cargos em substituição ao histórico militante negro e social Luiz Alves Bittencourt, o Lua, falecido em fins de 2009, que vinha liderando o projeto. Afirmando que outras etnias já possuem as suas referências, Flávio explica que o tambor foi escolhido pelo seu simbolismo. “O tambor tem todo um significado histórico para nossa etnia. Foi o nosso primeiro instrumento de comunicação, tem uma vibração com energia contagiante, mesmo para quem não cultue a cultura africana. O seu significado histórico e até religioso”, diz.

 

O que é o Museu de Percurso Negro
Fruto de uma articulação com o Governo Federal, IPHAN, Projeto Monumenta e Prefeitura de Porto Alegre, o Museu foi uma ideia do Centro de Referência Afrobrasileira, em 1998, informa Ioswaldyr Carvalho Bittencourt, antropólogo responsável pela pesquisa histórica e antropológica do projeto. “O Museu veio ser acolhido pelo Monumenta em 2009, fato inédito, pois o Rio Grande foi o único estado que teve aprovado
este tipo de projeto”, afirma. Segundo ele, o a ideia é ter um museu itinerante, a céu aberto, temático. O Coordenador Flávio acrescenta que um dos objetivos, além do resgate histórico, é dar visibilidade à cultura negra na cidade. “Os livros contam uma história distorcida e o Museu vai resgatar todo esse legado histórico”, diz.

 

Marcos do Museu
Quatro pontos foram escolhidos para sediar os marcos esculturais do Museu : Praça da Alfândega, antigo Largo da Quitanda, onde ficavam as Quitandeiras com quitutes e balaios de frutas, o Cais do Porto onde se desenvolvia uma intensa atividade de trabalho dos escravos e rota de fuga, o Pelourinho, em frente à Igreja Nossa Senhora das Dores, local de supliciamento dos negros, principalmente através das chibatadas e, finalmente o Largo da Forca, onde foi inaugurado o Tambor. Os outros
três lugares receberão mosaicos em forma de painéis, contando um pouco da história do negro em Porto Alegre.

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