Muitas histórias na Marechal

Rua Marechal Floriano Peixoto
Extensão: da Praça 15 de Novembro até a encruzilhada das Ruas Cel. Genuíno e José do Patrocínio
Foto: Domínio Público

 

Esta importante rua do Centro começou periférica e inexpressiva. Na primeira concepção de Porto Alegre, a Marechal marcava o limite da povoação. Foi chamada de Rua de Bragança desde muito cedo — a origem do nome é um mistério, mas é comprovado o seu uso desde 1785, quando foi feita a escritura de uma casa nesta via. A partir deste ano, há inúmeras transações de terrenos e casas por ali.

É de 1805 o primeiro registro da Câmara Municipal de melhorias públicas: a prefeitura ressarciu o juiz Almatocé João Rodrigues Viana por ter mandado aplainar a rua para procissão dos Passos. A Bragança, aliás, se tornou um caminho tradicional das procissões da Igreja da Matriz, o que pode explicar o tratamento das calçadas pela Câmara já em 1819.

A rua também concentrou diversas instituições de ensino ao longo do tempo. Já em 1834, abrigava quatro escolas para meninas, que, misturadas a atividades como “coser e bordar”, ensinavam a ler, escrever e contar. Em 1846, na esquina da Rua da Igreja (atual Duque de Caxias), foi lançada a pedra fundamental do Liceu Dom Afonso, que se tornaria um instituto oficial de ensino secundário.

O prédio levou vários anos para ser construído, mas, uma vez de pé, abrigou diversas escolas, incluindo a Escola Normal da Província. Nos seus últimos anos, tornou-se Repartição Central de Polícia, até que um incêndio o destruiu. Outro prédio foi erguido em seu lugar e hoje ele abriga, novamente, uma instituição de ensino.

 

Teatrinho e moradores

Por 19 anos, entre 1838–57, funcionou na Bragança o Teatro Dom Pedro II, conhecido como Teatrinho, antecessor do Theatro São Pedro. Foi a principal casa cultural da cidade, com muitos espetáculos populares. O prédio acabou sendo adquirido pela comunidade católica São José e transformado em capela, que sobreviveu até o século XX.

Em 1869, ano da fundação do Mercado Público, o calçamento da rua foi substituído, com o abaulamento da pista e das sarjetas laterais, obra que contou com o auxílio do governo provincial. No ano seguinte, o nome foi alterado pela Câmara para General Silva Tavares, homenagem ao Barão de Itaqui. Nessa época, a rua já tinha se transformado em uma das mais importantes do Centro, com forte presença de comércio e de moradores, como o ilustre padre e inventor Roberto Landell de Moura.

Um relatório da Cia. Hidráulica Porto-Alegrense informou que, em 1874, havia 131 ligações domiciliares de água na rua — indicativo da riqueza desses habitantes. Pouco depois, em 1892, havia 161 prédios, 64 deles sobrados. Em 93, o intendente Alfredo Azevedo alterou o nome da rua para Marechal Floriano Peixoto — pois Silva Tavares era adversário político do governo de então.

Quando a Cia. Carris começou a operar bondes de tração animal em Porto Alegre, em 1893, o ponto de partida fixado foi a Rua Gen. Vitorino, quase esquina com a Marechal. Depois da introdução de bondes elétricos, em 1909, o Circular D tinha trajeto pela Marechal, da Praça 15 até a Duque de Caxias. Em 2006, a última quadra da rua passou a integrar o Caminho dos Antiquários, passeio cultural que reúne diversos comerciantes de antiguidades.

 

Referência: “Porto Alegre: guia histórico”, de Sérgio da Costa Franco (Edigal, 2018, 5ª ed.)

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