Miados no telhado

Houve uma época, antes da reforma dos anos 90, em que era comum ver gatos passeando pelos telhados do Mercado.

 

Com patas habilidosas, jeito preguiçoso e saltos ágeis, os bichanos faziam parte da paisagem mercadeira dos anos 70 e 80. Os muitos aromas do Mercado Público atraíam dezenas deles, que se espalhavam pelos telhados de zinco das bancas internas. O segundo pavimento, então a céu aberto, era um verdadeiro convite aos felinos, que se espichavam ao sol ou aproveitavam alguma comida. Muitos mercadeiros citam os gatos como uma lembrança marcante dos tempos anteriores à reforma. Para alguns, como Pasqualino Gugliotta, da Casa de Carnes Santo Ângelo, e Carlos Jenecy, da Barbearia Central, eles estão ligados à falta de higiene e à precariedade do Mercado da época – Jenecy lembra de encontrar até urina pelos corredores. Já para aqueles que eram crianças e acompanhavam a família nas bancas, eles eram pura diversão. Julio Francia, da Banca de Revistas Julio, tem na memória os gatos e as corridas pelos antigos corredores do prédio. Cláudia de Paoli, da Flora Bandeira, lembra de chorar porque a mãe a proibia de brincar com os gatinhos. Já Adriana Kauer, da Comercial Martini, conta que dois gatos foram adotados pela banca – a Xuxa e o Pelé. Vilson Bocca, atualmente no Empório 38 e talvez o funcionário mais antigo do Mercado, diz que havia mais de 300 gatos na época e que Dona Palmira Gobbi era a protetora dos bichanos: “Ai de quem fizesse alguma coisa com um deles. Vinha a Dona Palmira e mandava prender”. Em 1997, com a conclusão da reforma, o segundo piso foi coberto, integrando-se com o primeiro. As salas superiores, antes ocupados por escritórios, foram assumidas por restaurantes, e a fiscalização e higiene se tornaram prioridade. E foi o fim da era felina no Mercado.

 

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