Mercat de la Boqueria Barcelona, a Rainha da Catalunha

Mercat de la Boqueria Barcelona, a Rainha da Catalunha

 

Barcelona, segunda cidade da Espanha, mais de quatro milhões de habitantes, sempre foi diferente das demais. Centro de cultura, de indústrias, de bancos, pelo comércio na época medieval era rival de Gênova e de Veneza, no Mediterrâneo. O catalão, língua local, uma mistura de francês, latim, português e de dialetos é mais fácil de ser entendido pela escrita do que pela fala. A pujança da Catalunha está presente nas suas largas avenidas, nas Ramblas, na arquitetura e no Mercado das Bocaditas.  Mercado que está perto do bairro Gótico e bem no centro da Rambla, avenida onde artistas de rua, estátuas móveis, em duplas, surgem com asas de dragão, de mariposas, evocando heróis da mitologia e personagens de Hollywood.

 

Sábado à tarde, sol atraindo clientes, uma multidão procura as bancas do mercado municipal. Frutas de todas as partes do mundo são apreciadas em forma de sucos ou de batidas. Os presuntos curados, vindos de várias regiões, com temperos diversos, surgem como peças decorativas, joias dependuradas. Os embutidos de todos os tipos e procedências são atrações. A carne de porco é apreciada, tanto quanto a do carneiro. Leitões, quartos de boi estão presentes. Como porto junto ao Mediterrâneo, não podiam faltar as lagostas, os mexilhões, os peixes, as ostras, as lulas e os calamares. Temperos, cogumelos de todos os tipos, desidratados, ao natural, em pedaços, estão no aguardo dos consumidores. Além dos sorvetes, encontramos os chocolates, os doces com recheio de amêndoas, de nozes – as calorias estão aqui para capturar os deslumbrados. A variedade dos produtos representa a pujança e o bom gosto dos catalães. Nos restaurantes próximos, “paellas” com frutos do mar são preparadas na hora. As frigideiras despertam aromas estimulantes, desafiadores, mortíferos. Não dá para resistir. Os óleos de azeite de diversas procedências, azeitonas verdes, maduras, escuras, em tinas, são os coadjuvantes.

Risotos com aspargos ou trufas são alternativas rápidas. Por 1,10 euros podemos apreciar uma copa de vinho da região da Catalunha. As trufas vendidas através de cooperativas, produto vindo direto da fonte, podem custar até mil reais o quilo. Os tubérculos, escuros, dependendo da região, do preço, desfilam aromas distintos. Ralados, o tempero dos deuses é adicionado à nossa refeição. Adoro o risoto com cogumelos. Para o vinho, como eram 16:00 horas, não quis ousar o encorpado produto local. Um Rioja, crianza, safra 2009, com teor alcoólico adequado, faria melhor companhia. Ainda tínhamos muito para palmilhar. A nova Rambla do Mar, trajeto junto ao antigo porto, remodelado para as olimpíadas de 1996, precisava ser investigada, tínhamos razões. Porto Alegre aguarda há 30 anos a solução para o seu antigo cais. A empresa ganhadora da licitação é a mesma que construiu as instalações de Barcelona. Pelo visto, não há restrições possíveis à capacidade do grupo de arquitetura espanhol, que enfrentou e venceu o desafio. A crítica catalã a valores da arquitetura moderna é terrível. Não esqueça que Antonio Gaudi, o gênio do movimento livre, natural, o criador da Igreja da Santa Família e do Parque Güell, nasceu em Barcelona. Como estamos perto, o Barri Gótic, onde fundações do tempo de Cartago e de Roma se fazem presentes, é o  próximo local de interesse. Necessário andar a pé, perder-se nas ruelas, nos becos, encontrar e rezar na Catedral até chegar no Museu Picasso. É cansaço cultural.

COMENTÁRIOS