Mercados do futuro: USA

 Mercados do Mundo por Felipe Daiello* 

Mercados do futuro: USA 

     Na região de Clearwater, perto de Tampa e St Petersburgo, na Florida, surge o mercado do futuro. A região é local para todos os esportes aquáticos possíveis, apresenta uma rede de pontes e viadutos por todos os lados, interligam ilhas, mangues e o próprio continente.É possível encontrar tartarugas e o terrível tubarão- tigre. Na época dos furacões, as rotas de escape já estão programadas. As ondas cobrem tudo

     Em pleno Golfo do México em Clearwater, local de encontro de turistas à procura do sol e do calor da Florida, uma visão de centro de abastecimento ultra-avançado está disponível.

     Com a evolução tecnológica, os humanos irão reduzir ou talvez eliminar, nas suas residências, as áreas da cozinha e das dependências associadas.

     Os alimentos estão disponíveis, congelados, em gigantescos freezers (refrigeradores). Dependendo da sugestão do dia, temos comidas com os mais variados sabores: japonesa, chinesa, indiana, mexicana, francesa, american

a, equilibrada, vegetariana, baixa caloria e até as tradicionais massas italianas.

 

     A proteína básica, carnes, peixes, galinhas, porcos, mariscos se apresenta com todas as possibilidades de preparo e de temperos.

     Principal personagem, o microondas, será o rei. Com técnicas modernas, design futurista, o descongelamento e o aquecimento será executado sem alteração da estrutura, das cadeias internas dos alimentos. Os modelos atuais, retirando ou eliminando a água dos sucos, altera o gosto e plastifica o paladar.

     A sobremesa está pronta. Doces, tortas, bolos, todos os tipos estão disponíveis. Cores, aspectos, formatos são tentações e fuga para sobremesa e para as dietas.

     As galinhas vêm prontas, embalagens plásticas, cozidas e preparadas para os ritos familiares. Máquina automática  cospe dezenas a cada fornada.As crianças só terão oportunidade de conhecer os galináceos em zoológicos, ou em algum parque, quando as galinhas com os seus pintinhos serão a atração para as suas máquinas fotográficas digitais. Serão as estrelas do show. Pobre balança.

     Não existe funcionários para pesar ou separar as tradicionais porções de cereais, batatas, vegetais e temperos.

     As frutas estão disponíveis através de sucos, embalagens industriais, produtos de todo o mundo. Como exceção: laranja, produto da Florida, está em oferta em sacos imensos.

     Os pães, envelopados, todos os tipos, são identificados pelos rótulos com análise e propaganda dos ingredientes. Espécie e quantidade dos grãos empregados, teores de cálcio, de magnésio, de gorduras. As calorias, o teor do colesterol, a dose de potássio, o percentual ou não de gordura trans, tudo está na bula do produto. Quando a data de vencimento se aproxima surgem as ofertas. Leve dois e pague um.

     Açúcar, sal, temperos em pó, estão ausentes, pois estão ocultos nos produtos à venda. Mestres fizeram a dosagem recomendada. Dá para confiar?

     Vender a granel é considerado superado, pouco confiável, algo antigo e motivador de desperdício e de manipulações inadequadas.

     Não há ninguém para orientar o consumidor. Basta ler as instruções e regular o “timer” do microondas.

     O microondas será o rei, o personagem principal substituindo o tradicional “chef-de-cuisine”. Com tecnologia moderna, o descongelamento e o aquecimento no ponto adequado serão feitos sem a destruição das cadeias alimentares. Nossas refeições perderão o gosto de plástico ressequido.

     Dúvidas, desconfianças estão presentes. Como fica o viés gastronômico, o toque pessoal e refinado, a obtenção da energia quântica necessária, o calor do fogo na preparação, no ritual das nossas refeições?

     É possível nas residências no futuro, que robôs sejam programados para, na preparação da refeição, talvez a luz de velas, a obtenção do melhor resultado.

     Ainda bem que eles não experimentarão o resultado, caso contrário pediriam demissão na hora.

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