Mercados do Antigo México – San Diego, EUA

O porto de San Diego, baía imensa, proteção adequada, foi o que atraiu e fixou os desbravadores espanhóis, Alta Califórnia.

 

 

Em 1769, com a construção do Presídio Real e da Missão de San Diego de Alcalá, começou a colonização da região. Frei Junipero Serra, franciscano, edificou 21 missões através da Califórnia. A maioria foi restaurada e ainda está em atividade. Um passo para a frente, nunca olhar para trás ─ era o seu lema.

A missão franciscana era clara: além de procurar a catequização dos indígenas, era importante ensinar os métodos do pastoreio, da agricultura, do uso de poços e de irrigação e providenciar melhorias no artesanato local. Inclusive as missões, além da igreja, possuíam muro de adobe como proteção contra a agressão de tribos inimigas. Aparece arquitetura típica no adobe. Os “pueblos” surgiam pela Califórnia, a Cruz de Cristo e a Espada de Castela unidas na missão de conquistar novas terras para o rei da Espanha.

Devido à distância entre os centros de poder, da capital do México e das cidades do oeste das colônias americanas, San Diego dispunha de grande liberdade. Mesmo com as regras alfandegárias impostas pela Espanha, navios de todas as bandeiras podiam apontar. Mercadorias de todo o mundo, mesmo naves de países inimigos, eram bem-vindas para manter o comércio, algo essencial ao desenvolvimento do Pueblo de San Diego.

Em 1822, o México recém independente começa a ocupar a região, onde, além dos hispânicos, outros colonizadores haviam fixado residência.

Em 1848, os Estados Unidos, mostrando os músculos de nação em expansão, acrescenta a Califórnia às suas fronteiras. Mais colonos, mais aventureiros cruzam o rio Mississipi e iniciam a Corrida do Faroeste. Outro cenário em desenvolvimento, além das eventuais divergências, duas culturas, hábitos e religiões começam a surgir.

O antigo “pueblo” começa a deslanchar. A descoberta do ouro e da prata atrai mais aventureiros. Começa a corrida do ouro na Califórnia em 1848. De todas as partes chegam mineiros, inclusive foragidos e bandidos de todas as fronteiras, qu

e tentam a sorte na região de San Diego. Tempo de ataques às diligências e aos trens pagadores. Com o tempo, o centro comercial se desloca, o velho pueblo fica esquecido, longe dos grandes edifícios, da Base Naval do Pacífico, do Hotel Coronado. No entanto, as tradições dos antigos mercados, raízes mexicanas, ainda persistem.

Aos finais de semana, principalmente, é possível retornar ao passado. Os prédios restaurados, as estruturas de madeira, os habitantes vestidos à maneira antiga: é possível rever os mercados do Antigo México.

Cada loja apresenta uma especialidade típica: artesãos produzem seus artigos em frente dos clientes. Cerâmicas, velas, artigos em barro, material destinado às comemorações do dia dos mortos. Roupas típicas mexicanas, sombreiros, artigos de couro, bolsas, semijóias, onde a turquesa predomina, são as alternativas. Essências, perfumes e sabões são tentações. Segure o cartão de crédito.

Na praça central, danças típicas surgem, exercícios e manobras militares têm o seu público. Demonstrações de tiros de canhões, descarga de carabinas, procuram dar realidade às demonstrações. Réplicas estão disponíveis para os colecionadores. Prefira os originais.

Mesmo após a chegada e domínio dos ianques a partir de 1848, as tradições ainda sobrevivem, principalmente na culinária, nos nomes espanhóis e no tipo físico dos hispano-americanos.

El pueblo não fica longe da moderna San Diego, vale o desvio e compensa passar a tarde circulando pelas lojas, pelos restaurantes e terminar a jornada na velha e antiga igreja. Dá para retornar e mesmo recomendar aos amigos essa volta ao passado. Uma tarde é pouco para saborear as origens do pueblo. Disponha de tempo para descobrir o velho México em terras americanas. Não tenha pressa.

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