Mercados de Rouen, gastronomia de soberanos e papas

MERCADOS DO MUNDO, por Felipe Daiello

 

O Mercado de St. Marc é o mais famoso da cidade, onde Joana D’Arc foi queimada em 1431, durante a Guerra dos Cem Anos entre França e Inglaterra.

 

O turismo em Rouen, cidade banhada pelo Rio Sena antes de alcançar o oceano em Le Havre, em grande parte, além de conhecer a cidadela medieval, com suas casas de madeira e arquitetura típica, está em acompanhar a prisão, o julgamento e a reabilitação futura da donzela que nasceu para libertar a sua querida França. “As vozes, na minha igreja, disseram que essa era a minha missão”, poucas palavras da grande heroína.

Depois de queimada junto ao mercado de Rouen, suas cinzas foram lançadas no Sena para que nada sobrasse para iniciar a devoção que agora encontramos. “Não deixou traços, sepultura ou imagem, mas suas ideias permaneceram”, afirma o cartaz ao lado onde ocorreu o sacrifício.

Em Sotteville-lès-Rouen, vamos encontrar um dos maiores mercados livres da região. Oportunidade para descobrir os produtos que farão a alegria nas mesas dos locais.

O pato à Rouen é o favorito nos restaurantes: produto da mistura do pato selvagem com a ave comum da criação. Criado livre, depois abatido, recheado, assado, revestido com camadas de molho que utiliza o sangue do animal e com bastante mostarda aplicada pouco a pouco na pele, é considerado o acepipe digno de reis e de papas.

Além do foie gras, tão combatido pelos naturalistas e defensores dos animais, do salmão defumado nas condições tradicionais, vamos encontrar os típicos queijos da região e mesmo da vizinha Normandia. As trufas negras do Périgord são coadjuvantes em receitas que foram desenvolvidas para os reis da França.

Prensado de aves com foie gras, filé de dourado na pimenta, risoto da floresta, acompanhado de maçã verde com limão e pétalas de lótus cozidas com tartares de salmão são as tentações dos restaurantes que nos cercam.

No mercado encontraremos a matéria-prima usada para produzir os sabores e o orgulho da região. A França se destaca pela gastronomia; mesmo numa pequena estalagem, a surpresa não tem momento, o preço é adequado e o vinho da casa, mesmo sem rótulo, sem fama, sem vasilha adequada, sempre será o fiel escudeiro.

Como estamos perto da Bretanha e da Normandia, surge a oportunidade de experimentar o gigot d’agneau de pré-salé, o cordeiro típico da zona, temperado com alecrim, levado ao forno, que apresenta sabores distintos e agradáveis. “Ele é alimentado com capim que cresce em alagados, em pôlderes, onde depósitos de sal predominam e o iodo está presente”, são as explicações do cozinheiro para perguntas indiscretas do turista metido a chef.

O queijo camembert, preciosidade da Normandia, vai acompanhar as geleias de frutas vermelhas. O Kir bretão, mistura de sidra com cassis, completa a nossa refeição

Fotos: Felipe Daiello

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