Mercados de Nagasaki – a cidade cristã do Japão

Cidade pequena, agradável, localizada em baía acolhedora, Nagasaki sempre foi o ponto de entrada das mercadorias e da cultura ocidental. Dejima, bairro junto ao porto, era o único lugar permitido para os diabos brancos. Os portugueses foram os primeiros a chegar.

 

Construída entre as colinas que descem para o mar, quase não possui calçadas. Ruas estreitas, tráfego difícil, pouco lugar para estacionar, mas excelente serviço público para o transporte. A melhor sugestão para o turista é ter passe para 24 horas. O t

áxi é caro e os motoristas não falam inglês – quando tentam precisamos de intérprete.

Os mercados são pequenos, as quantidades, reduzidas na exposição. Aqui os preços são mais camaradas do que em Tóquio e as ofertas, principalmente as comidas prontas, são estranhas para brasileiros. O artesanato é caro e não apresenta muitas alternativas.

Nas compras, é preciso ter a moeda local, não recebem dólares e o cartão de crédito não é aceito em qualquer lugar. Não é preciso pechinchar. Não adianta.

Paciência e educação são características essenciais para comprar. O Japão é bem diferente da China.

A cozinha local foi influenciada por portugueses, chineses e holandeses. Nagasaki Castella é um bolo doce de influência portuguesa, champon é uma massa servida com porco ou frutos do mar, receita vinda da China. Uneshu é um licor de ameixa famoso na região, possui mil anos de tradição. O chá-verde é o favorito, Sencha é o tipo mais popular. Sapporo é a cerveja e o Futsu-shu a salsa para uso diário. Aos poucos, vamos entendendo o mecanismo dos mercados.

Não passamos pelo mercado chinês, pois não tinha atrações. Ficamos olhando as raízes estranhas, os peixes, frescos ou defumados, as rações preparadas para consumo imediato, os polvos, outros alimentos, tudo em porções de 100 gramas. Cabeças de tubarão, molhos estranhos e condimentos que não pudemos decifrar. Mistérios numa língua estranha e complicada.

Bem perto de Nagasaki, famosa por ser cenário de filme de James Bond, a ilha abandonada de Gunkanjima, com prédios esquecidos há mais de 40 anos, é destaque na película “Skyfall”. Destruída por tufões, com o fechamento das minas de carvão, ficou perdida no tempo. Melhor assistir ao filme, é mais fácil do que se deslocar até aquele deserto de prédios e de sonhos.

Por influência e catequese dos jesuítas, Nagasaki sempre teve a maior concentração de cristãos no Japão. Igrejas e oratórios são encontrados por todos os lados. No entanto, em 9 de agosto de 1945, apesar de não ser a prioridade de alvo, devido a condições meteorológicas em Kokura, sobre Nagasaki foi lançada a segunda bomba atômica. Em poucos dias, o Japão seria obrigado à rendição incondicional

Hoje, reconstruída, moderna, a cidade guarda apenas a hora da tragédia: 11h02.

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