Mercados de Muscat. Sultanato de Omã

Mercados do Mundo por Felipe Daiello*

Mercados de Muscat. Sultanato de Omã

     Terra da Rainha de Sabá, da Rota do Incenso, onde o litro da gasolina é muito mais barato que o litro da água potável. Segundo a lenda os Reis Magos teriam saído daqui em direção a Jerusalém.

      Na entrada do porto, incensório gigante característica essencial do Sultanato de Omã, dá as boas vindas. Desde a época dos gregos era etapa da Antiga Rota do Incenso, preciosidade tão cara quanto o ouro, dádiva empregada nos templos e oratórios, essencial para agradar aos deuses.

     A partir de 1498, com Vasco da Gama, os portugueses marcam presença, como atestam os antigos fortes que protegiam a entrada da baía. Agora o iate do sultão está bem a vista. Em Omã, o sultão ocupa ao todo onze palácios e outro mais na Alemanha. O petróleo financia tudo.

     O centro comercial está perto. A estrutura da construção é típica dos mercados árabes, espaços pequenos, lojas especializadas no comércio de todos os tipos de incenso e dos acessórios utilizados na queima do produto predominam.

     A mirra, como alternativa medicinal, também aparece. Incensos de todos os tipos, em sacos, mostram resinas produzidas pelo frankincenso, arbusto típico das áreas desérticas dessa região. 

     Artigos de prata, adagas curvas, enfeites para roupas femininas, tecidos, tapetes, miniaturas de camelos, bem como perfumes e essências estão também a disposição dos fregueses.

     As roupas típicas usadas pelas mulheres acrescentam tons adequados a paisagem e as nossas fotos.

     Fabricantes de bengalas expõem os seus produtos sentados no chão do mercado; como seus antepassados repetem cotidianos de séculos.

     A presença indiana na cidade reflete-se nos artigos típicos ofertados nas lojas: chinelos, pashminas, saris e tecidos em seda e algodão. Os preços são convidativos, os olhos dos turistas não param de piscar enquanto mãos ansiosas provam e adquirem as tentações.

     A comunidade hindu ocupa os postos de comércio e trouxe para Muscat todas as suas tradições, as mulheres, usando o sári tradicional, não escondem as cabeças como as muçulmanas.

     Ao entardecer Muscat ou Mascate que em grego significa incenso, resplandece. No entorno, montanhas escarpadas, como ondas rebeldes, provocadas pelo magma de antigas erupções fazem a decoração da baía.

     No Sultanato de Omã temos mais de 1.700 quilômetros de praias, a maioria desconhecida. Águas quentes, claras, límpidas, azuis, com corais inexplorados e grande vida marinha. Um paraíso a ser explorado pelos mergulhadores. Paisagem exuberante, zona de difícil acesso, isolada, o que evitou a poluição e a natural degradação ambiental. Mais de 22 pontos de mergulho agora estão à disposição dos turistas. O problema é como chegar até aqui, já que a infraestrutura disponível é precária.

     Segundo as lendas, o rei mago Baltazar, saindo de Muscat, levava a gota mágica produzida pelos arbustos típicos do sul da Península Arábica. O incenso, elo entre o Oriente e o Ocidente, a ligação entre a terra dos humanos e o infinito dos deuses, é o produto de uma região de sofrimento e de secas. Atualmente a menor procura reduziu o interesse no cultivo da “Boswellia papypera” e da “Boswellia carteri” — nomes científicos do arbusto.

     O Sultanato de Omã, elo no comércio mundial marítimo, entre o ocidente e oriente, ocupa posição estratégica na entrada do Estreito de Ormuz. Vasco da Gama, na corrida para Goa e Madras na Índia, usou a região como base de apoio e abastecimento. A partir de 1507, a ocupação se fortalece quando o sultão vende terras onde a flâmula de Portugal ondulará até 1649, quando inicia a decadência lusitana nas Índias.Marco Polo, outro aventureiro, no retorno da China, passando pela Pérsia, deixou menções e relatos de riquezas, da produção de incenso dessa região. Agora petroleiros gigantes são o destaque.

     O Sultão Qaboos Bin Said, atual chefe político, tem o poder absoluto, após ter retirado o pai do trono, com educação e visão inglesa de mundo globalizado, está levando o país a modernidade, sendo idolatrado pelo povo que o apóia de modo incondicional, apesar do luxo e da ostentação dos seus onze palácios. Numa região onde a gasolina é muito mais barata que a água potável ele é o senhor de tudo e de todos.

Felipe Daiello é autor de “Onde Estão os Dinossauros?” da editora AGE. www.daiello.com.br

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