Mercados culinários – Macau e suas raízes portuguesas

Macau. Porto essencial na Rota das Índias. As raízes portuguesas ainda persistem, principalmente na culinária e nos costumes. Orgulho dos povos de língua portuguesa.

 

 

O dia de finados chinês, “Cheng Ming”, momento de reverenciar os antepassados, conforme ensinamentos de Confúcio, neste ano coincide com as comemorações da Paixão de Cristo. Momento de festas, de reverências e de apreciar a culinária local. As festividades estão associadas aos afazeres da mesa. Macau é excelente porto para as experiências.

A culinária macauense surge da necessidade das esposas orientais dos portugueses de adaptar as comidas de Portugal aos produtos locais disponíveis. Ao lado dos tradicionais “dim-sum” – bolinhos com farinha de arroz com recheios –, encontramos o porco afumado, a sopa de lacassá, o min chi, que é um tipo de carne picada, o “tacho”, o típico ensopado de carne e legumes, o arroz gordo, a cabidela de pato, o caril de galinha, a sopa de raiz de lótus, os camarões gigantes recheados e o chetnum de bacalhau. Os portugueses, reconhecidos como comedores de pedra (pão seco) e bebedores de sangue (vinho tradicional), após os combates e suas conquistas exigiam uma boa mesa e esposas nativas prestativas.

Mas as sobremesas, as tortas, os doces com ovos, o pastel de Santa Clara , agora especialidade local, são as tentações do momento. A quantidade de pastelarias ao longo dos caminhos da cidade antiga, das suas ruelas, é imensa. A tradição local exige que o turista aceite a oferta dos seus habitantes. Apesar das indicações, dos cartazes em português, poucos são fluentes na língua de Camões. Mesmo assim, muitos possuem passaporte português.

Macau, local de cassinos, de antiga etapa de Fórmula 1 realizada em novembro, com curva tradicional frente ao Hotel e Cassino Lisboa, possui bandeira própria e moeda diferente da China Continental.

Um tratado estabelece regime administrativo diferenciado entre a antiga colônia de Portugal e o moderno Império do Meio Chinês. Como Região Administrativa Especial da República Popular da China, Rhem, a cidade ainda mantém antigas tradições do tempo de Mateo Ricci e de Camões.

Circular pelos antigos fortes, pelas igrejas, vendo a coexistência entre Ocidente e Oriente, observando os pequenos restaurantes com seus espetinhos e caldos, vendo o porco prensado, vendido em lâminas gostosas, é retornar ao passado glorioso, algo que encanta o turista brasileiro e todos que entendem a língua portuguesa. O minúsculo reino conseguiu manter império por período muito superior ao da Rainha da Inglaterra. Prodígio que enobrece a terra dos conquistadores lusitanos.

Temos orgulho em falar a língua dos antigos conquistadores. Fazemos parte das conquistas de Portugal. Momento de reler “Os Lusíadas”. Por sinal, o primeiro português a aportar em local onde se encontra o templo da deusa do mar, A Mah, ao perguntar onde estava, gravou palavra que, com o tempo, resultou por corruptela na denominação atual de Macau.

Com a expansão, a ilha de Macau agora está conectada por pontes a outra ilha, Landau, onde, além do aeroporto, vamos encontrar os maiores cassinos do mundo. O Bellagio de Las Vegas fica pequeno na comparação.

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