Mercado Público – no tempo e na história

Mercado Público – no tempo e na história

Em 145 anos, o Mercado viveu muitos momentos marcantes. Confira aqui os principais:



1869 – Surge o Mercado

Numa tímida província, ainda sob o Império, surge o Mercado Público, em 3 de outubro de 1869, na antiga Praia do Paraíso. O início do funcionamento, porém, é só no ano seguinte.

 

1912 – Ano do segundo piso e do primeiro incêndio

Para deixar o Mercado no mesmo nível da recém-inaugurada Intendência (atual prefeitura), o Mercado ganha o 2º piso. Ano fatídico, é também quando ocorre o seu primeiro grande incêndio.

 

1941 – A enchente de 41

O Mercado é um dos mais atingidos pelas cheias daquele ano, que inundam grande parte do centro da cidade. Na parede, junto ao portão da entrada do Largo Glênio Peres, está uma placa demarcando a altura das águas pelos corredores e interiores do Mercado, que causam grandes transtornos e prejuízos.

 

1967 – Os mercadeiros se organizam em Associação

Mais conscientes e ativos, aqueles que vivem do Mercado criam a Associação do Comércio do Mercado Público Central, a Ascomepc.

 

1969 – Ameaça de demolição

Um ano emblemático: políticos tecnocratas tentam demolir um dos maiores patrimônios arquitetônicos do estado. Felizmente, falham na tentativa. A sociedade e formadores de opinião impedem o desastre.

 

1972 – Segundo Incêndio

Ano do segundo incêndio no Mercado, uma sina na sua história.

 

1979 – Tombamento e mais um incêndio

Ano do tombamento do Mercado como Patrimônio Histórico e Cultural do Município. Além disso, ele sofre o seu terceiro incêndio.

 

1987 – Funmercado

Criado o Funmercado, fundo para gerir recursos do Mercado.

 

Anos 90 – Reforma e restauração

As obras dão uma nova cara ao Mercado, que tem suas bancas realocadas, ganha escadas rolantes e fica com um ar mais moderno – sem perder suas principais características.

 

2013 – O quarto incêndio

Depois do susto em toda a cidade, com imagens preocupantes das chamas e labaredas que pareciam que iriam consumir todo o Mercado, o saldo afi nal não foi tão trágico: oito estabelecimentos destruídos, além de outros espaços, como o auditório, o Memorial do Mercado, a sala do Programa Monumenta e a sede da Ascomepc. 38 dias depois, parte do Mercado reabre.

 

2014 – Espaço de Eventos passa a abrigar nova praça de alimentação

Os sete estabelecimentos mais duramente atingidos pelo incêndio ganham uma área provisória para funcionar. São realocadas no Espaço de Eventos, com bons resultados para todos.

 

A evolução do entorno do Mercado – acompanhando o crescimento

O Mercado funciona como um polo irradiador de crescimento em todo o seu entorno, desde o começo do século passado. Veja:

 

1908 – Primeiros bondes elétricos na cidade.

1922 – As obras do Cais do Porto são concluídas.

1927 – A Praça Parobé é inaugurada.

1930 – É construído o Abrigo da Praça XV.

1940 – Nesta década, os escritórios começam a deixar o 2º piso; período de ouro da boemia da região.

1992 – Inauguração do Largo Glênio Peres.

1998 – O Chalé da Praça XV é tombado como Patrimônio Histórico Municipal.

2009 – O antigo camelódromo deixa o entorno, seguindo para uma área especialmente construída para esse fim, o atual Popcenter – Centro Popular de Compras.

2013 – O Largo Glênio Peres passa por uma reformulação, ganhando um chafariz.

O incêndio que comoveu a cidade

Em seu quarto incêndio, o Mercado deu um grande susto na cidade. Mas, como sempre, resistiu. Ainda não voltou completamente, mas já deixou para trás aqueles trágicos dias quando 10% do seu total foi destruído.

 

A primeira sensação foi de incredulidade. Depois, de pânico: o centenário Mercado Público Central de Porto Alegre ardia em chamas numa fria noite de 6 de julho de 2013. Uma multidão correu ao centro da cidade para ver as terríveis chamas e labaredas que emanavam do velho prédio, passagem obrigatória de muitas daquelas pessoas que se acotovelavam para acompanhar a cena trágica. Na TV, imagens ainda mais terríveis mostravam a dimensão do fogo, dando a impressão de que o Mercado seria completamente engolido e que dele só restariam os escombros. Depois de horas de muita luta, principalmente dos bombeiros, o fogo foi finalmente debelado.

38 dias depois, o Mercado abria, ainda que parcialmente

No outro dia, o quadro sombrio: quase a metade do piso superior completamente destruída, restaurantes e espaços institucionais reduzidos a cinzas. Passada a tristeza, seguiram-se dias de muita mobilização de todos. Limpeza, retirada de entulho, descarte de mercadorias inutilizadas, pequenas restaurações, recomposição de serviços essenciais, como água e luz, muita força de vontade e solidariedade entre os mercadeiros foram a rotina de muitos dias em que o gigante atingido se erguia novamente. 38 dias depois, reabria parcialmente com um grande público formado por curiosos, solidários, incrédulos, mas sobretudo fiéis frequentadores do Mercado.

O Mercado reencontra sua vida

A retomada foi com um movimento bem aquém do seu normal, mas o importante é que o Mercado reabriu. Oito meses depois, os estabelecimentos mais atingidos – restaurantes Bar 26, Mamma Julia, Sayuri, Taberna 32 e Telúrico, sorveteria Beijo Frio e Casa de Pelotas – puderam reabrir, no Espaço de Eventos, ainda que de forma reduzida e provisória. Começaram a surtir os efeitos dos esforços feitos por autoridades municipais, estaduais e federais: com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Cidades Históricas, do Governo Federal, um valor de R$ 19,5 milhões foi destinado à restauração e vieram os movimentos iniciais de recuperação. Primeiro, os tapumes e redes externas de proteção, garantindo a segurança dos transeuntes. Além disso, foram instaladas lonas pretas internas isolando a parte atingida pelo incêndio, protegendo as bancas da chuva e do vento.

O andamento da recuperação:

• Nova cobertura de telhas em fase final de instalação;

• Instalação dos brises e telhado central em andamento;

• Recuperação da estrutura do prédio em finalização;

• Teto e paredes em fase final de reboco;

• Projeto de estrutura das novas bancas já apresentadas pelos permissionários;

• Rede de gás terá seu sistema alterado, que melhorará a impermeabilização do setor. 

A praça de alimentação provisória que deu certo

 Quase nove meses depois, as lojas mais atingidas pelo incêndio de julho de 2013, situadas no 2º piso, puderam reabrir e receber seus clientes e amigos – desta vez no Espaço de Eventos, Quadrante 4, no térreo. Uma mostra de que no Mercado Público o espírito é de garra, trabalho e superação.

Foi uma forma encontrada de minimizar os prejuízos e custos e começar a retomar a normalidade, ainda que provisoriamente. O espaço revelou-se um sucesso, porém depois das obras tudo deverá voltar ao normal. O projeto foi feito pelo arquiteto Teófilo Meditsch, que já havia trabalhado na reforma do Mercado, com execução do engenheiro Régis Pegoraro. A instalação teve recursos dos próprios permissionários, que investiram mais de R$ 200 mil, segundo Francisco Nunes, proprietário do restaurante japonês Sayuri, que esteve à frente da comissão de permissionários atingidos pelo incêndio. Mesmo com os restaurantes operando com sua capacidade reduzida de funcionários, garçons e pratos, a área revelou-se um grande sucesso, inclusive atraindo novos clientes para o Mercado. Colocados um ao lado do outro, os restaurantes com 20 m² cada um dividem uma área comum com 200 lugares, cada qual com suas mesas, registrando um grande movimento durante o almoço e até happy hour no fim de tarde. O espaço contempla os restaurantes Bar 26, Mamma Julia, Sayuri e Taberna 32, a sorveteria Beijo Frio e a doceria Casa de Pelotas, mostrando algumas das principais características do Mercado: o convívio, a diversidade e a solidariedade. Até porque esse novo espaço serviu para aproximar ainda mais seus proprietários. De todos que iniciaram, apenas o restaurante vegetariano Telúrico não continuou aberto, devendo voltar, porém, quando o Mercado reabrir definitivamente. 

COMENTÁRIOS