Mercado: O reencontro dos comerciantes com suas rotinas

Mercado: O reencontro dos comerciantes com suas rotinas

 

Era visível o sentimento de felicidade que expressavam, na manhã desta terça-feira, 13, os comerciantes ao retomarem suas atividades depois do incêndio que consumiu parcialmente o Mercado Público de Porto Alegre, no último dia 6 de julho.

 

“Longe daqui me sentia perdida, fiquei sem rumo”, disse Ivone Araújo Leal, mãe dos gêmeos Alexandre e Marcos, proprietários da Flora Hana Noka, que vende artigos místicos e religiosos. Ivone disse que mesmo não tendo parado de trabalhar, já que aproveitaram o tempo em que as lojas ficaram fechadas para organizar o depósito de mercadorias, estava ansiosa para voltar a atender seus clientes. “Sei que muitos estão acostumados a comprar conosco e estranham ter que procurar outras lojas”, relatou, com um sorriso no rosto.

 

O jovem Rafael Rossatto, de 22 anos, que trabalha na banca de frutas e verduras do pai, onde são atendidas cerca 1,5 mil pessoas diariamente, admite que sua família estava apreensiva por estarem afastados. No entanto, aproveitaram o período para realizar algumas reformas na loja, como troca de piso, substituição da rede elétrica e limpeza.

 

Laços fortalecidos – Proprietário da única banca de revista interna do Mercado, Júlio César Francia Ferreira, que trabalha há 40 anos no local herdado do pai, confessa que “estava louco pra voltar a trabalhar. Estou muito feliz. O Mercado e seus frequentadores são a minha família”. 

 

Ainda emocionado com os depoimentos de clientes que não se cansavam de manifestar a alegria de ver sua loja aberta novamente e de saber que todos estavam bem, o proprietário da Casa de Carnes Santo Ângelo, Pasqualino Gugliotta,  disse que ficou surpreso e feliz.“Depois da impotência diante do fogo que se alastrou naquela noite, hoje me sinto animado a recomeçar, especialmente depois de receber tanto carinho”.

 

Uma das proprietárias do restaurante Gambrinus, Marlene Barden, também afirmou estar muito feliz em poder voltar a sua rotina de 15 anos no comando do estabelecimento. Para ela, “o Mercado Público é a luz que ilumina o centro da cidade”. Grata à administração municipal pela agilidade com que realizou o trabalho de reabertura do Mercado, Marlene disse se sentir aliviada em voltar a colocar a vida em ordem novamente.

 

Os 73 anos de vida de Jorge Alberto Bueno de Oliveira, dos quais 46 de trabalho no Mercado Público, não desanimam o garçon, que voltou hoje a atender os clientes do restaurante. Animado, o “Vovô”, como gosta de ser chamado, disse que as tristezas deixa em casa. E que no trabalho só sente alegria em reencontrar os clientes.

 

 

Foto: Ricardo Stricher/PMPA

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