Mercado Municipal de Florianópolis

ESPECIAL | ADMINISTRAÇÃO DE MERCADOS PÚBLICOS MUNICIPAIS

Floripa mantém o seu mercado municipal como um dos principais pontos de comércio e turismo da cidade. O Patrimônio Artístico, Cultural e Arquitetônico da ilha carrega mais de 160 anos de uma história marcada por constantes transformações, todas construídas e administradas por meio de uma gestão pública.

 

Foto: Emílio Chagas/JM

A arquitetura é formada por três prédios divididos em duas alas e um vão central que separa os espaços. Ao todo, são 6.344.50 m² ocupados pelos 118 boxes (39 na Ala Sul e 79 na Ala Norte). O funcionamento diário passa pelas mãos dos mais de 300 funcionários, que recebem até oito mil pessoas por dia. Ao longo da história, a construção do Mercado se deu conforme surgia a necessidade de ampliação do espaço. O seu início se estende nos séculos XVII a XIX, quando os chamados ilhéus, donos de barraquinhas, comercializavam diversos tipos de produtos na praia, em frente à atual Praça XV de Novembro. A visita ilustre do imperador Dom Pedro II, em 1845, resultou na construção do primeiro prédio, finalizada em 1851, que abrigou o comércio das barraquinhas de rua.

Mais tarde, a falta de espaço para pescadores e colonos comercializarem os seus produtos obrigou a construção de um outro galpão, erguido ao lado do primeiro em 1891. Oito anos depois, foi construído um terceiro prédio, que passou a ser utilizado apenas para a venda de carnes e pescados, resolvendo problemas de higiene existentes na época. Episódios tristes, como o incêndio de 2005, que se alastrou por todo o interior da Ala Norte, motivou algumas reformas. A última e mais importante, finalizada em 2015, foi além da estrutura física. Ocorreram mudanças administrativas para uma melhor gestão do Mercado, além da implantação de um novo perfil de produtos e serviços.

 

Gestão em conjunto

Todas as questões administrativas são de responsabilidade da Secretaria Municipal de Administração, órgão da prefeitura que, entre outras atividades, realiza a manutenção dos prédios e das áreas comuns e fiscaliza os espaços de cada box. Os boxes são adquiridos pelos comerciantes por meio de um contrato de concessão de uso válido por 15 anos, podendo ser renovado pelo mesmo período. Cada concessionário é responsável pelo seu consumo de água e energia, além da limpeza do seu box.

Os gastos com segurança e limpeza das áreas comuns são divididos entre os comerciantes, conforme explica o presidente da Associação do Mercado Público de Florianópolis, Alexandre de Aguiar: “Limpeza das áreas comuns e segurança são de responsabilidade da Associação, que repassa os valores dos serviços para os concessionários pagarem através de um valor de taxa cobrado por m² de sua loja. Esse valor é estipulado em assembleia geral ordinária anual, em reunião com todos os associados e concessionários”. Por meio dessas assembleias, a Associação do Mercado também debate problemas e soluções que, posteriormente, são encaminhados para análise da Secretaria Municipal.

 

Foto: Cristiano Andujar/CSA

Investimentos e mudanças necessárias

De acordo com a prefeitura, foram investidos mais de R$ 14 milhões na obra das Alas Sul e Norte e no vão central. As mudanças estruturais e visuais incluíram a construção de uma cobertura automatizada no vão central, reforma de paredes, telhados, portas e pisos, rede elétrica, hidrossanitária e preventivo de incêndio; padronização dos boxes e um mix de comércio, reformulados para abrigar 54 tipos diferentes de atividades. “Na Ala Norte, a reforma ocorreu, primeiramente, para adequação do comércio. É que, anteriormente, havia nesta Ala muita venda de calçados, e, com a reforma, houve uma mescla de produtos, incluindo artesanato, cafeterias, produtos coloniais, economia solidária e box das rendeiras, entre outras”, conta Everson Mendes, secretário de Administração de Florianópolis.

Parte da verba necessária para as obras foi arrecadada por meio do processo de licitação aberto em 2012 para ocupação dos boxes e renovação dos contratos de concessão. Entre as mudanças previstas na licitação, agora nenhum comerciante pode trocar o ramo de atividade previsto na licitação e nem vender completamente o box. Para fazer uma sociedade, o dono da licitação deve ficar com no mínimo 1% do negócio. Junto a isso, também foi intensificada a fiscalização e estipulado um regulamento para os concessionários, no intuito de acabar com problemas que existiam até então, como a construção de “puxadinhos” nos boxes sem autorização da prefeitura, gambiarras elétricas e até aluguéis não pagos.

 

Orgulho da Ilha

Alexandre acredita que, após as reformas, o Mercado conseguiu se organizar e oferecer o melhor tanto para os clientes quanto para os próprios comerciantes. “O Mercado Público está mais organizado, limpo e seguro. Possui uma maior variedade de lojas e gastronomia, podendo, assim, atingir um público maior e mais diversificado. E, por estar no centro da cidade, tem grande fluxo de pessoas, o que gera um grande movimento”, avalia. O Mercado de Floripa também possui um calendário anual de atividades culturais que contemplam festas tradicionais, como a Fenaostra, a Festa da Tainha e o Carnaval, além de uma galeria de arte fixa que recebe diferentes exposições ao longo do ano.

Todo o investimento feito até então é fruto da importância que a prefeitura enxerga no Mercado como sendo uma das principais bases de fomento do turismo e da economia da cidade, conforme enfatiza Gean Loureiro, prefeito de Florianópolis: “Por ser um patrimônio artístico, histórico e arquitetônico e guardar as características da época da construção, é um dos principais pontos turísticos do município e um importante ponto de encontro e lazer da cidade, tanto para moradores quanto para turistas”.

 

 

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