Mercado Municipal de Curitiba

ESPECIAL | ADMINISTRAÇÃO DE MERCADOS PÚBLICOS MUNICIPAIS

O local é conhecido por seu apreço gastronômico, com cerca de 72% dos boxes destinados à alimentação. Os investimentos ocorridos ao longo dos anos contribuíram para um aumento significativo no número de visitantes e na oferta de produtos.

 Foto: Daniel Castellano / SMCS

A sede atual do Mercado de Curitiba é relativamente nova, se comparada aos prédios seculares que abrigam parte dos tradicionais mercados públicos do país. O projeto original foi apresentado pelo urbanista francês Alfred Agache em 1943 e executado entre 1956 e 1958 pelo engenheiro Saul Raiz. Antes disso, o Mercado chegou a ter outras três sedes, posteriormente demolidas. Os seus registros históricos datam do ano de 1820, quando comerciantes começaram a fazer venda de frutas e verduras em casinhas na Praça Tiradentes, centro da capital paranaense.

 

Estrutura

Com o passar dos anos, os espaços foram ampliados, o que possibilitou, em 2009, a inauguração do primeiro setor de produtos orgânicos do Brasil dentro de um mercado municipal e uma maior variedade comercial, resultando no aumento do fluxo de visitantes. Até o ano 2000, em sete dias da semana, passavam pelo prédio cerca de cinco mil pessoas; hoje, esse número chega a 65 mil. A estrutura possui dois andares e 17 acessos em uma área total de 15,6 mil m². O espaço é ocupado por 196 comerciantes, responsáveis por 362 unidades comerciais, adquiridas em regime de concessão, válida por oito anos, podendo ser renovada por iguais períodos. A comercialização de produtos é dividida entre bancas — onde encontra-se, predominantemente, frutas, verduras e especiarias — e boxes — ocupados por açougues, peixarias, lojas de bebidas e outros produtos.

 

Gestão em conjunto

Foto: Daniel Castellano / SMCS

 

A administração é feita no modelo de autogestão. A prefeitura, por meio da Secretaria de Abastecimento e Agricultura de Curitiba (Smab*), é responsável pela manutenção da parte estrutural e pela gestão pública do local, que envolve, entre outros, o cumprimento das normas de comercialização de alimentos. A Associação dos Comerciantes do Mercado Municipal (Ascesme) responde pela limpeza, controle de pragas, higiene, segurança diurna e ações de marketing. A segurança noturna é feita pela Guarda Municipal. Contudo, até a metade dos anos 1990, a gestão era feita somente pela prefeitura. “Em 1995, a Ascesme foi regularizada com Estatuto e Regimento Interno. As competências desse Estatuto visam proteger o patrimônio, projetar o Mercado como ícone da cidade e, também, demanda parte da administração do local à Ascesme”, explica Rose Bezecry, diretora da Associação.

 

Gastronomia como destaque

O Mercado Municipal se tornou grande referência gastronômica, com diferentes praças de alimentação que oferecem do tradicional pastel com pingado (café com leite) a elaborados pratos, preparados, em especial, com especiarias paranaenses, como o pinhão. Além do setor destinado a produtos orgânicos, o local também possui uma cozinha gourmet equipada, sala de apoio a eventos e sinalização trilíngue. A estrutura inclui, ainda, uma sala de manipulação, onde alguns alimentos são manuseados, conferindo ao Mercado o Selo de Inspeção Municipal. “Já estamos com projetos em parceria com a Universidade Federal [do Paraná] e com uma unidade de gestão de resíduos e aproveitamento dos alimentos. Estamos, também, com projetos sustentáveis de energia renovável e captação de água e reciclagem, além do projeto de readequação da acessibilidade”, conta Rose. Segundo informações divulgadas pela prefeitura, impermeabilização de pisos, readequação da parte elétrica e substituição de telhado também são reinvindicações da Ascesme.

*A assessoria de imprensa da Smab não retornou o nosso contato.

 

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