Mercado Municipal Adolpho Lisboa

Após percorrer pelos principais mercados públicos de dez estados do Brasil a fim de conhecer seus modelos de gestão, finalizamos a série em Manaus/AM. De arquitetura caprichosa, erguida em frente ao mais extenso rio de água negra do mundo, o Mercado Adolpho Lisboa se destaca pela sua beleza no Centro Histórico da capital amazonense. Desde que foi reinaugurado, em outubro de 2013, após oito anos de interdição, voltou a ser um dos espaços mais bonitos da cidade.

 

ESPECIAL | ADMINISTRAÇÃO DE MERCADOS PÚBLICOS MUNICIPAIS

Foto: Semcom/Divulgação

O mercado público Adolpho Lisboa, de Manaus/AM surgiu no século XIX, em meio à preocupação com as condições de higiene na comercialização de alimentos. Popularmente conhecido como mercadão, é a principal porta de entrada da produção pesqueira e rural do estado. O seu pavilhão central foi inaugurado em 15 de julho de 1883, época em que a cidade era considerada uma das mais prósperas do Brasil, em razão das riquezas vindas da exploração dos seringais.

Sua arquitetura de estilo art nouveau, faz do mercado uma réplica do extinto mercado Les Helles, de Paris, na França, com a estrutura toda feita de ferro fundido e forjado, pórticos de ferro rendilhado e vitrais. Um detalhe interessante é que as obras desse mercado não obedeceram a um projeto e foram sendo realizadas ao longo de 30 anos, conforme a necessidade de ampliação do espaço, a partir do crescimento da cidade.

Em 1906, o prédio foi arrendado para a empresa inglesa Manáos Markets, responsável pela construção das principais fachadas e pelos dois pavilhões laterais, também de ferro, destinados à venda de carne e peixes. O contrato foi rescindido em 1934 e o Mercado voltou à administração municipal.

 

Gestão compartilhada

Desde 2004, a prefeitura trabalha em uma gestão compartilhada com os permissionários do Adolpho Lisboa. Por meio da Secretaria Municipal de Agricultura, Abastecimento, Centro e Comércio Informal (Semacc), são feitas as fiscalizações e normas administrativas, e os permissionários são responsáveis por pequenos reparos e manutenções, segurança e normativas de vendas entre eles.

“A Semacc é um órgão fiscalizador, que auxilia na administração do mercado, junto com a comissão gestora, eleita pelos próprios permissionários, que recebe uma taxa mensal. A prefeitura entra, no final, com a Secretaria Municipal de Limpeza Pública, para recolher o lixo”, explica Fábio Henrique Albuquerque, responsável pela Semacc.

Foto: Semcom/Divulgação

Funcionamento

O espaço do Adolpho Lisboa é dividido pelos pavilhões da Carne, do Peixe, Frontal e os pavilhões Pará e Amazonas, todos espalhados por uma área 3.520,68 m2. Aproximadamente 500 funcionários trabalham nos 182 boxes e recebem entre 12 e 15 mil visitantes por mês. De acordo com a prefeitura, na temporada de cruzeiros, esse número chega a 20 mil. “A concessão desses boxes é regida pela Lei nº 123/2004, que trata sobre a ‘Permissão de Uso dos Boxes’ por tempo indeterminado. Não é cobrado nada pelo uso do espaço, por se tratar de uma permissão precária para o município.”

O secretário diz, ainda, que em caso de morte do titular, um parente pode assumir o espaço e que, no contrato, constam regras como “o atendimento cortês ao cliente, limpeza e manutenção do box”. Os produtos comercializados variam entre artesanatos de matéria-prima regional, hortifrúti, carnes, peixes, ervas e remédios naturais. Além disso, as lanchonetes e pequenos restaurantes vendem de sanduíches, salgados e sucos de frutas amazônicas a peixes e iguarias locais.

 

Oito anos de restauração

“O maior problema enfrentado pelo mercado foi estrutural. Por tratar-se de um prédio tombado, não foi feita uma reforma, mas uma restauração e, por estar submetido às normas do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o restauro foi um pouco mais demorado. Mas, hoje, o mercado se encontra em pleno funcionamento.” No total, foram gastos R$ 17 milhões nas obras de restauro, dinheiro captado por meio de um convênio entre a prefeitura e a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa).

Foto: Semcom/Divulgação

O mercado ficou interditado por oito anos, tempo em que os permissionários precisaram se alocar em um dos armazéns. “Por ser uma obra de restauro mais difícil, passou por três administrações municipais. Chegou a ser embargada porque o Iphan entendeu que era preciso usar as mesmas pedras na área de peixe e carne.  Na gestão seguinte, foi feita uma nova licitação para dar continuidade ao restauro, mas por demora no trâmite, a finalização precisou ser adiada novamente”, justifica o secretário. Por fim, a obra foi concluída e o Mercado devolvido para a população no dia do aniversário da cidade, 24 de outubro de 2013.

 

Ainda melhor

A reinauguração do Adolpho Lisboa motivou a prefeitura a trabalhar no aperfeiçoamento do atendimento e no fomento de atividades culturais. Todos os permissionários passaram por cursos de qualificação, nos quais receberam noções de atendimento ao cliente, como gerenciar o próprio negócio, tratamento de resíduos sólidos e manuseio de alimentos. Também receberam aulas de inglês e espanhol básicos e sobre a história do próprio mercado. Além disso, em parceria com a Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult) é realizado um evento na última sexta-feira de cada mês, que reúne um mix de atrações culturais de entretenimento, turismo e gastronomia. O projeto já integra a agenda cultural da cidade.

Confira todas as matérias da série aqui.

 

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