Mercado Modelo

Cheio de histórias para contar, o Mercado Municipal de Salvador é visitado por 80% dos turistas que chegam à cidade. Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), nos últimos anos sofreu mudanças na sua administração, estando agora sob responsabilidade da prefeitura.

 

ESPECIAL | ADMINISTRAÇÃO DE MERCADOS PÚBLICOS MUNICIPAIS

Foto: Márcio Filho/Mtur

Rodeado por cartões postais de Salvador/BA, o Mercado Modelo está instalado há 48 anos na antiga alfândega do Porto de Salvador, no bairro Comércio. O prédio, construído em 1861 para abrigar a 3ª alfândega da cidade, recebeu os comerciantes do Mercado Modelo em 1971, após o incêndio de 1969 que destruiu o edifício original. Inaugurado em 1912, o prédio do antigo Mercado surgiu pela necessidade de um centro de abastecimento na região da Cidade Baixa de Salvador.

Ao longo dos anos, constituiu-se em um centro comercial onde era possível adquirir itens variados, como hortifrutigranjeiros, cereais, animais, charutos, cachaças e artigos para o candomblé. O incêndio de 1969 inviabilizou a reconstrução do local. Com isso, no espaço, foi erguida uma escultura de Mário Cravo Junior, a Fonte da Rampa do Mercado, tombada pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac-BA).

 

Intervenção pública

O Mercado recebe todo mês cerca de oito mil visitantes, atraídos, principalmente, pelo comércio de artesanato e a oferta gastronômica do local. Os corredores do prédio são chamados de ruas internas e possuem nomes em homenagem a comerciantes antigos e personalidades ilustres, como Irmã Dulce.

São mais de 260 boxes com permissão permanente, que se dividem pelos dois andares do prédio. Todo o espaço e as suas demandas eram administradas pela Associação dos Comerciantes do Mercado Modelo (Ascomm) há mais de 10 anos, quando, em março 2016, a pedido da própria associação, a prefeitura interviu por meio da Secretária Municipal de Ordem Pública (Semop).

O principal motivo da mudança foram as dívidas acarretadas ao longo da gestão anterior, em razão da inadimplência dos comerciantes. Somando atrasos de água, luz, dívidas trabalhistas e com fornecedores, a conta chegou a R$ 1 milhão.

Foto: Bruno Concha/Secom-Salvador

Um acordo mediado pelo Ministério Público fez com que os próprios permissionários arcassem com as dívidas. Com a presença do poder público, o valor dos condomínios também foi alterado. Desde agosto de 2017, os permissionários pagam uma taxa 500% a mais do que era cobrado até então.

De acordo com o secretário municipal de Ordem Pública, Marcos Passos, esse aumento não se configura como uma nova cobrança. “A utilização do espaço público não estava sendo cobrada pelo município. Então, a partir da nossa gestão, implantamos a cobrança e a taxa foi acordada com os permissionários”, explica.

 

Resultados da mudança

“Os comerciantes participam da administração de forma democrática, nos limites permitidos por decreto municipal. Estamos satisfeitos com o trabalho feito pela Semop, as coisas estão evoluindo. O mercado está cada vez melhor para receber os visitantes”, diz Nelson Tupiniquim, atual presidente da Ascomm.

Foto: Milena Abreu/Secom-Salvador

Quase três anos após a mudança na gestão, já foram feitas melhorias na parte elétrica e correção de infiltrações, restauração da varanda do segundo andar, reforma do telhado, troca de lâmpadas convencionais pelas de LED e ações para prevenção de incêndios.

Demandas de acessibilidade, padronização dos boxes e ordenamento da área de alimentação também foram executadas pela administração. De acordo com a prefeitura, foram R$ 480 mil investidos nessas ações.

“A intenção é realizar as melhorias e qualificações necessárias para que o equipamento esteja em condições de atender baianos e turistas. Organizamos também o estacionamento externo, com a finalidade de atender exclusivamente quem chega de ônibus, micro-ônibus e vans de turismo, proporcionando mais conforto e fácil acesso ao mercado”, afirma Marcos.

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