Mercado dei Fiori. Roma e suas surpresas

Perto da Praça Navona, da nossa embaixada em Roma, deve ser incluindo no roteiro de todo turista.

Visita imperdível para conhecer os segredos da culinária e da gastronomia italiana; não inclua o domingo, data em que ele não funciona. Hora de assistir missas solenes no Vaticano.

No centro da Praça, vigilante, mesmo escondido por capuz, a estátua de Giordano Bruno sinaliza o tradicional mercado. Queimado como herege, em 1600, o frade dominicano pagou caro pelas suas ideias de renovação e pelas suas palavras:

“Talvez sintam maior temor ao pronunciar essa sentença do que eu a ouvi-la”.

─ “O mundo é infinito porque Deus é infinito”.

Depois de ver a placa, onde o bronze mostra o seu julgamento pela inquisição,é momento para inspeção mais agradável e palatável.

As hortaliças da estação estão presentes; mas são as pimentas as vedetes que nos atraem. A decoração das bancas, com cestos repletos de flores, é a atração principal.

Massas especiais, fabricação artesanal estão bem ao nosso alcance. Os condimentos al peperoncino e al tartufo, tendo como base o óleo extra virgem de Mantova, surgem em forma de spray.

A porchetta di Ariccia é a provocação do dia. Os salamini e a schiacciatina abruzzese estimulam o nosso paladar.

Os temperos para as massas trazem dificuldades na escolha; para a bruschetta ou para a pasta puttanesca?

Os óleos trufados recordam os vales da mística Úmbria.

Enquanto escolhemos a tentação imperdível, uma olhada nas frutas vermelhas, pequenas embalagens, prontas para degustação, nos deixam mais dúvidas. As romãs, tradicionais, estão preparadas para aquele suco que recorda as raízes italianas da família.

Para a sobremesa, além das uvas, temos tortine di marina al frutto ou di frutta secca. Os licores vêm bem com café expresso. As grappas então bem representadas.

As mortadelas gigantes, imensas na tentação, seriam bem-vindas na collazione.

A dúvida estará no momento de escolher o vinho adequado. As lembranças são tantas. Não é preciso vinhos caros para completar nossa refeição. Mesmo o vinho da casa, barato, é bom companheiro.

Como estamos em Roma, no Lazio, para os refinados, as sugestões são óbvias:

Um vinho da Tavola Fiorano, branco, com a uva semillon, ou o tinto Falesco de Montiano, onde a cor rubi da uva merlot traz aromas agradáveis. A decisão fica para o leitor. Eu já fiz a minha.

O ideal para visitas é chegar cedo, quando os turistas habituais ainda estão descansando das festas da noite. Roma possui intensa vida noturna e as tentações são múltiplas.

Os bares e as trattorias, no entorno do ‘Campo dei Fiori”, são adequadas para aquela “hora alegre”, alguns servem bons vinhos, a bom preço, em taças generosas.

Momento de recordar as discussões entre os artistas daquela época. Caravaggio matou seu rival ao perder partida de tênis e Celline assassinou concorrente rival que disputava a primazia. Mas a morte na fogueira do filósofo e padre dominicano é episódio do que falar até os nossos dias. As andanças da amante do Papa Alexandre VI , pela praça, ainda despertam interessantes discussões. Tudo serve para aproveitar o final da tarde na Cidade Eterna.

O circuito só ficará completo após uma circulada pelo Panteon, pela Igreja de Gesú, onde os jesuítas edificaram templo onde os jazigos de lápis lazúli predominam. Cada igreja em Roma, possui obras de arte, dignas dos melhores museus. Cabe ao visitante alternar os instantes entre cultura e prazer, escolhendo bons vinhos e excelentes calzones nos intervalos. Vale a pena.

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