Mercado de São José

ESPECIAL | ADMINISTRAÇÃO DE MERCADOS PÚBLICOS MUNICIPAIS

Reduto comercial e cultural de Recife/PE, este é um dos 24 mercados públicos da cidade — todos administrados pela prefeitura. São 147 anos de existência e sua importância histórica tornou-o um monumento pernambucano reconhecido e tombado como Patrimônio Histórico pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Hoje, aguarda recursos do PAC Cidades Históricas para executar a sua restauração.

Uma parte da arquitetura histórica de Recife guarda consigo os ares e tendências europeias do século XIX. Nesse conjunto se encontra o Mercado de São José, um dos mais antigos do Brasil e da capital pernambucana.

Seu projeto foi encomendado pela Câmara de Vereadores da cidade em 1871, sob a responsabilidade de Louis Léger Vauthier, engenheiro francês conhecido no Brasil por ter projetado importantes obras em Pernambuco.

A inspiração veio do mercado de Grenelle, de Paris, com a mesma arquitetura neoclássica e estrutura em ferro pré-fabricado importado da França, muito conhecido na época.  A construção levou pouco mais de dois anos para ser concluída, sendo inaugurada em setembro de 1875.

 

Comércio variado

Antes do Mercado de São José receber uma estrutura, em 1787 já existia um pequeno comércio de frutas e verduras a céu aberto. O local era descrito como “um mercado junto de uma igreja, onde são oferecidos montões de raízes de mandioca, bananas, ananases, cajus, mangas e laranjas”.

Hoje, em seus 547 boxes, a variedade impressiona. São vendidos artigos de renda, palha, madeira e artesanatos diversos. Frios, laticínios, temperos e bebidas também são encontrados. Na parte central estão os boxes com venda de carnes, peixes e frutos do mar (semanalmente, são vendidos 1,3 toneladas de peixe e 400 kg de crustáceos).

Imagens de santos (em especial de religiões de matriz africana), panelas de barro, instrumentos musicais e até ratoeiras dividem o espaço dos dois pavilhões. O comércio do local ainda é composto por mais 70 barracas espalhadas pela calçada do pátio, que também integram o mercado.

 

Administração

A gestão do Mercado de São José, assim como dos outros 23 mercados públicos de Recife, são de inteira responsabilidade da Companhia de Serviços Urbanos (Csurb), órgão da prefeitura. Não há serviços terceirizados ou envolvimento da iniciativa privada.

Os espaços funcionam em regime de concessão com prazo indeterminado. Ao todo, são 590 permissionários que pagam R$ 15 pelo metro quadrado do boxe, preço mais caro entre todos os mercados públicos da cidade.

“Mercados públicos nas principais cidades no Brasil e no mundo são verdadeiras essências da cultura local e um importante centro econômico. Recife persegue tal conceito, não estimulando a visitação, mas trabalhando para requalificar os mercados e torná-los, cada vez mais, um importante link entre a cidade e a comunidade”, afirma Berenice de Andrade Lima, presidente da Csurb.

Em 147 anos de existência, o Mercado passou apenas por uma grande reforma concluída em 1994, após um incêndio em 1989. Desde então, a estrutura sobrevive a reparos e manutenções, conforme aponta Berenice.

“Os últimos investimentos foram para a execução de manutenção de instalações elétricas danificadas, oxidação das calhas e retorno do esgoto nas áreas internas do mercado. As ferragens dos brises de vidro também estão oxidadas, mas esse reparo gira em torno de R$ 2 milhões e está aguardando projeto executivo da Autarquia de Urbanização (URB)”.

 

Projeto de requalificação

Após 24 anos, uma grande reforma está prevista para o segundo semestre de 2019. As obras, orçadas em R$ 8,8 milhões, vão incluir desde a restauração da arquitetura até a mudança completa do atual projeto de engenharia.

A proposta é tornar o local um polo de atração cultural, artística e também gastronômica, tomando como exemplo o Mercado Municipal de São Paulo.

“Os recursos virão do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Cidades Históricas, no qual o projeto ainda está em discussão”, diz Berenice.

O eixo principal do projeto é a requalificação da arquitetura, com restauro das estruturas desde as suas fundações, incluindo a parte de ferro fundido (original), as esquadrias, os vitrais e todas as áreas onde existem processos de oxidação, aparentes ou internos.

Também inclui novos pisos mais adequados para limpeza e acessibilidade, restauro da cobertura e criação de um mezanino para onde serão realocados os restaurantes que hoje funcionam na área externa do mercado (próximos aos banheiros) e no pavilhão sul.

Os boxes precisarão ser refeitos e a área total, que somada hoje totaliza 1.868 m², será reduzida para 1.755 m² para atender as demandas.

“Sabemos da relação das atividades comerciais com a estruturação das cidades; mercados, enquanto forma e função, apresentam papel de destaque nesse processo. A intervenção na gestão é essencial para, de fato, atingir a melhoria e ressignificação que queremos dar ao Mercado de São José”.

Fotos: Setur/PE

 

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