Mercado de Pinheiros revitalizado

Antes de mais nada… FELIZ 2018!!! Escrevo diretamente do Mercado de Pinheiros, meio camuflado nas redondezas do Largo da Batata, em São Paulo, capital. Já estive várias vezes aqui nos últimos dois anos e continuo me surpreendendo com a revitalização desse espaço, cada vez mais conectado com a realidade gastronômica da cidade.

 

Inaugurado em 1910 como o Mercado dos Caipiras, foi reconstruído em 1971 para ser um entreposto de produtores do interior, com suas 39 bancas que, nas últimas décadas, vinham competindo muito mais por preço do que por qualidade. Em 2004 e 2005, ali no centro histórico de SP, o famoso Mercadão ficou um bom período em reforma, demorando para ser integralmente devolvido à população. O “primo menor” de Pinheiros sofreu um golpe com o retorno do maior, que monopolizou as atenções de imprensa e público, diversificando a oferta gastronômica ao agregar diversidade nos restaurantes do mezanino, com muito mais do que sanduíches cheios de mortadela e pastéis cheios de bacalhau.

Nesse momento, alguns chefs que buscavam a popularização de produtos brasileiros encontraram um terreno pouco explorado no coração de um bairro com potencial para assimilar a nova ordem dos insumos: consuma local. Uma reforma estrutural e elétrica em 2006 investiu na manutenção dos permissionários mais atuantes e buscou renovação ao construir o anel superior. Em pouco tempo, começou um movimento de aproximação de profissionais que enxergaram nessa proximidade com os fornecedores uma ferramenta para inovar no cardápio.

BINGO! O primeiro a fazer sucesso foi a Comedoria González, do boliviano Checho González, especialista em cebiches (ou ceviches) e outras iguarias da costa oeste sul-americana. Filas de pedidos, mesas de dentro e de fora lotadas, com um público descolado e curioso, atraíram a atenção da mídia e de outros investidores, como o chef Rodrigo Oliveira, do Bar Mocotó, que vem se destacando com releituras fantásticas de uma cozinha bem brasileira. Instalou-se com uma pequena sucursal, batizada de Mocotó Café, com menu mais enxuto que a matriz na Vila Medeiros.

O próximo lance foi do Instituto ATA, chancelado pelo renomado chef Alex Atala, em parceria com a Prefeitura de SP, entre outros, ao inaugurar quatro boxes que representam cinco biomas brasileiros: Caatinga e Cerrado, Mata Atlântica, Amazônia e Pampas, trazendo oferta de produtos regionais brasileiros de boa procedência e qualidade.

Claro que, em SP, não poderia faltar uma boa pizza, ali representada pela Napoli Centrale, do gaúcho Marcos Livi.

Nos freezers, as bebidas artesanais também ganharam espaço. Sucos, refrigerantes, coquetéis e, claro, cervejas alinhadas com o gosto do público que quer sair da mesmice. Além da Coruja, que já havia caído nas graças dos paulistanos, Júpiter, Bamberg, Urbana e Insana ganharam espaço nas torneiras e garrafas.

Ah! O nome oficial é Mercado Municipal Engenheiro João Pedro de Carvalho Neto. Fica na Rua Pedro Cristi, 89, em Pinheiros. Antes de partir… QUE A FONTE NUNCA SEQUE!

 

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