Mercado de ostras e de mexilhões

Cancale é o destino da viagem. A criação de ostras e de mexilhões na Bretanha e na Normandia constitui atividade econômica importante. Entre Cancale e Morlaix, podemos visualizar, na costa do Canal da Mancha, as imensas extensões onde os vultos negros dos suportes – bouchons en français – se destacam.

 

Fotos: Felipe Daiello

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Em Cancale, junto à praia, no mercado, tendas oferecem o produto a baixo preço, enquanto nos restaurantes os nativos devoram enormes porções desses manjares. Os reis da França eram consumidores cativos.

– As moules são o prato do dia – o garçom explicava qual era a melhor alternativa para o nosso almoço. Mexilhões não são para mim a melhor opção, ainda mais quando acompanhadas de batatas fritas, porções imensas.

Outra possibilidade é pedir a cotriade, sopa tradicional de peixe, na qual a manteiga com cristais de sal é abundante nos molhos e nas calorias. Na entrada, não dá para recusar as brochetes de Coquille de St. Jacques. Para a sobremesa, nenhuma dúvida, o tradicional Kouign-amann da Bretanha. Crocante e caramelado por fora e derretendo por dentro. Delícia.

Quem vem da baía do Mont Saint Michel e se dirige pela costa até St. Brieuc, além de paisagens magníficas, de imensas extensões de praias desnudadas pela maré baixa, dos faróis altaneiros, vigilantes ou orientadores dos marinheiros nos dias de tormentas, encontra os locais de cultivo das ostras, tradições centenárias na França. Nas pequenas enseadas, nas baías escondidas, os barcos de pesca repousam aguardando a maré alta. Dispostos ao acaso, encalhados, são magníficos nas fotos que não cessamos de tirar.

As ostras chatas, de carne branca, são outra tentação para os apreciadores. Aparece em todos os cardápios. Doze mil toneladas de moules (mexilhões) são produzidos pela região. A técnica bretã, desde o século XI utilizando diques, estacas de madeira, os bouchons, é responsável por 1/5 da produção francesa.

A indústria da pesca sempre foi importante na economia local. As unidades fabris, em embalagens coloridas, colocam sardinhas, atum e o maquereaux em latas de conserva tentadoras para os nossos olhos. Os molhos são estranhos, podemos ter o produto temperado com ervas da Provence ao limão ou mesmo com sabores de manjericão e demais combinações.

Terra de marinheiros, desbravadores do desconhecido bem antes dos grandes descobrimentos, os marinheiros bretões já pescavam o bacalhau nos bancos de pesca da Terra Nova, atual Canadá. As costas da Irlanda eram outro local onde iam capturar os frutos que o mar oferecia. O preço pago pela ousadia não era pequeno. Os relatos locais chegaram em grande número até as Letras – muitos romances de aventuras surgiram assim na literatura.

Alternativa disponível em certas praias está na colheita de algas, usada na indústria química para remédios e na alimentação do gado como base de rações.

O porto pesqueiro de La Houle é o local de saída de Cancale para excursões. Do molhe podemos avistar, no meio da neblina, o vulto da Abadia de Saint Michel do outro lado da baía. Ao longo da costa onde carros movidos pelo vento deslizam, encontramos antigos moinhos de vento, estrutura de pedra. Muitos agora servem de moradia para veranistas.

Do porto, passando pelo mercado das ostras, percurso a pé, podemos chegar à Ponta Du Hock. A casa de Jeanne Jugan, fundadora da Congregação Religiosa das Pequenas Irmãs dos Pobres, responsável por cuidar dos mais pobres entre os miseráveis, fica perto do velho cemitério. De Cancale até St. Malo, distância pequena, podemos passar pelas praias de Paramé, balneário procurado pelos veranistas pelo poder curativo das suas águas e pela beleza das enseadas. Pelo caminho, pequenos restaurantes estão preparados para mitigar a fome de passantes apressados.

 

 

 

 

 

 

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