Mercado de frutas, de tâmaras em Dubai

Mercado de frutas, de tâmaras em Dubai

 

Perto da região do Creek, longe do fausto dos prédios portentosos das mil e uma noites, dos hotéis de sete estrelas, mais perto da realidade e do povo comum, os mercados populares se espalham.

 

Felipe Daiello*

 

Na antiga região de Dubai, local das primeiras tradições, usando uma abra – tipo de táxi aquático – para efetuar a travessia, podemos alcançar a realidade diária de Dubai.

Aqui a população adquire os produtos essenciais ao dia a dia. As tâmaras, produto típico da região, aparecem com todos os aspectos, cores e sabores possíveis.

Encontramos mais de doze qualidades e procedências. Vindas de todos os pontos da península Arábica, do Irã, da Índia e até dos Emirados.

Em natura, sob a forma de doces, coberta de enfeites, de mel, são tentações bastante calóricas; não dá para resistir.

Xaropes produzidos pela extração do açúcar característico das tâmaras é outra especialidade. Estranhos!

Em sacos imensos, os pistaches são outra tentação. Cores diferenciadas, tratamento diferente, gostos e possibilidades difíceis de degustar e mesmo de falar ou descrever.

Os doces feitos com o mel das abelhas do deserto são fortes, cores escuras, intensas, sabores nunca apreciados.

Não há como resistir às provas, às ofertas dos comerciantes, não podemos fugir das calorias e do peso adicional, resultado lógico da nossa gula.

Nas lojas populares encontramos a realidade. Mulheres do povo, vestindo roupas negras, tecido barato, mostram apenas o rosto. Com a liberação dos costumes as burkas não são comuns. As discussões teológicas por aqui gastam horas analisar qual a parte do corpo feminino pode ser mostrada ao público. Considerada responsável pelos pecado mundo, a mulher não pode excitar o homem, provocando tentações que desencaminhe os fiéis das suas obrigações. O fundamentalismo islâmico é cruel com as mulheres.

Interessante a comparação dos costumes. Dubai, um dos sete emirados árabes, permite certa liberdade aos turistas e aos estrangeiros. Mesmo assim, respeite os costumes locais se não quiser ser deportado. Nas áreas dos hotéis de luxo, em spas e zonas turísticas, temos liberdade, mas na zona do povo deve-se evitar roupas escassas e atitudes indecorosas, como beijos e abraços efusivos. Casal de ingleses teve sugerida a rota mais rápida até o aeroporto. Não se pode comprar álcool em nenhum local, apenas nos hotéis de luxo, pagando preços abusivos. O consumo de drogas é proibido e evitado por todos, o que elimina uma série de delitos e crimes comuns no ocidente. Pode-se passear com segurança, apenas as mulheres devem circular acompanhadas de amigos ou maridos.

As pessoas comuns não falam inglês, mas entendem o básico. Simpáticos, adoram tirar fotos, mas depois querem ver como se saíram. Muitas fotos foram tiradas apenas para agradar aos nossos interlocutores, quando, ao descobrirem que éramos brasileiros, tentavam repetir o nome de jogadores de futebol que a televisão popularizou.

 

*Autor de “Onde Estão os Dinossauros?” e “A Revolução dos Velhos”.  (Editora AGE)

 

Cuidado com as calorias

 

Durante o passeio, se a fome aparecer há sugestões interessantes, mas é preciso cuidar no aspecto das calorias. Muitos produtos são considerados afrodisíacos. Nos Emirados Árabes 92% dos produtos na alimentação são importados. A característica típica da região são as tâmaras, as especiarias do mercado.

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