Mercado das Especiarias de Grenade, no Caribe

A série “Piratas do Caribe”, com Johnny Depp no papel de pirata trapalhão, teve muitos episódios filmados em Grenade. O gostoso é tentar localizar no filme a praia agora visitada, a ponte pênsil escondida, a trilha perdida ou a baía onde a “Pérola Negra” ancorava.

 

 

Francesa na origem, Grenade, por tratados, passou para mãos inglesas. Então começou o cultivo do açúcar, do café, do cacau. Os escravos foram trazidos. Revoltas ocorreram em 1775 e a ilha foi dominada pelos africanos até feroz repressão dos britânicos.

Em 1843, sementes trazidas da Indonésia, da ilha de Banda, por negociantes holandeses, introduziu o cultivo da noz moscada. Com condições favoráveis de solo e clima, a noz moscada trouxe fortuna a Grenade. Hoje adquirida no mercado central e nas pequenas fazendas, é utilizada não apenas como condimento, mas também como remédio. A película externa da noz, a Mace, é usada na fabricação de cosméticos. O óleo produzido é usado para cicatrizar feridas, para massagens, para melhorar a circulação e o sistema imunológico.

Sem destruir a floresta, um sistema ecológico de produção foi implantado. Safras são produzidas no solo com tubérculos. Depois temos o nível das trepadeiras, da noz moscada e mais para o alto, o cacau. “O pequeno produtor tem a possibilidade de estar colhendo algo em todas as épocas do ano”, são palavras do agricultor, ao explicar como sobrevivia em Grenade.

Amostras de gengibre, da canela, da vanila, do cacau, do bay leaf, de glove e de açafrão americano estavam à nossa disposição. Precisávamos renovar o estoque, os preços eram adequados. Sob a forma de pós, misturas de temperos multicoloridos, bem como óleos diversos com múltiplas indicações para doenças seculares, o que Grenade produz pode ser comprado no mercado central de Saint Jorge.

“A noz moscada, usada em excesso, pode trazer efeitos alucinógenos; seu consumo em alguns países é proibido”, as palavras daquele vendedor despertavam outras recordações. Charles Dickens, o escritor inglês, adorava adicionar noz moscada à sua cerveja. Ele nunca explicou a razão.

Após independência da Comunidade Britânica, o partido no governo assumiu poderes ditatoriais. O ministro Bishop foi derrubado pela ala radical, que tinha o apoio cubano de Fidel Castro. “Foi terrível a carnificina – tropas sob o efeito de dr

ogas provocam destruições, os políticos antigos são fuzilados, período de terror domina a ilha”, foram as palavras do jovem guia. “Graças aos fuzileiros americanos, após bombardeio do aeroporto e do palácio do governo, os invasores foram expulsos. Os restos dos Tupolevs ainda estão por lá”, concluiu.

“Se não fossem os gringos, hoje estaríamos falando espanhol”, disse, quase rindo, quando explicou os horrores por ele presenciados. “Os responsáveis pelos massacres foram fuzilados, outros pegaram prisão perpétua”, arrematou, enquanto eu preparava mais perguntas. Continuava curioso: “Tudo isso pela noz moscada?”

Depois era oportunidade de experimentar roupas e artigos executados com fibras de bambu. Sensação agradável ao toque. Maciez total. Boas compras – fora do tradicional artesanato caribenho, apareceram novidades.

COMENTÁRIOS