Mercado central, ícone da cidade

Mercado central, ícone da cidade

Por Sérgio da Costa Franco

 

Tendo acompanhado a vida de Porto Alegre desde quando esta contava escassos 30 mil habitantes, até agora, quando está roçando um milhão e meio, o Mercado Central tornou-se um ícone da cidade. Como monumento representativo da comunidade, não tem êmulo que dele se aproxime. É certo que sofreu transformações, que não conservou o risco original, embora tenha mantido a planta quadrangular com que foi concebido. Tinha um torreão em cada uma de suas quatro esquinas, até que se lhe acrescentou um 2º pavimento. Uma reforma mais ou menos recente deu-lhe um toque de modernidade, com escadas rolantes e outros melhoramentos. Mas preservou sua personalidade como grande casa de varejo de alimentos, bebidas, especialidades, de bares, restaurantes, armazéns. Sua freguesia, igualitária e democrática, jamais desertou de suas lojas e bancas, apesar das sucessivas transformações arquitetônicas. E o Mercado foi fidelíssimo à vida da cidade, inclusive em calamidades como a grande enchente de 1941, que o alagou até uma altura jamais suspeitada. Nem repetidos incêndios abateram seu ânimo ou afugentaram seus fregueses. Solidários, os porto-alegrenses choraram os desastres e concorreram para repará-los. Se os invernos eventualmente afastassem os frequentadores, os verões, com os sorvetes e as bebidas geladas, tornavam a atraí-los. Os boêmios nunca deixaram de visitá-lo. E até os fiéis das religiões africanas cultuam o mistério de seus corredores. Nos momentos de agitação política, era o local predileto dos comícios-relâmpago, dos discursos de protesto e das rixas partidárias. Os pregadores de rua e os missionários, se não penetrassem em seus corredores, dissertavam no seu entorno sobre os perigos do álcool e do Inferno, sem jamais conseguir atemorizar a freguesia dos bares. E os vendedores ambulantes de chás, xaropes e das mais preciosas panaceias traziam à Praça XV o remédio amazônico ou mato-grossense para todas as doenças, com o aplauso solidário de uma plateia interessada e curiosa. Mas não faríamos objetiva descrição dos encantos do Mercado se não falássemos das preciosidades só encontradas em algumas de suas bancas. Abrese inquérito atrás de certo embutido de qualidade, e só se vai descobri-lo no Mercado Central. Variedades insuspeitadas de erva-mate, seja de Soledade, seja da Palmeira, só lá são oferecidas à venda. E aquele pão colonial importado de Dois Irmãos? Em fim de contas, Porto Alegre e o mercadão da Praça XV formam uma dupla inseparável e irremovível.


Central Market, city icon
Sérgio da Costa Franco

Having followed the Porto Alegre life since the city had only 30 thousand inhabitants, until now, when brushing a million and a half, I saw that the Central Market has become a city icon. As a representative monument of the community, has no emulator that most closely approximates from it. Admittedly it suffered transformations and did not keep the original trace, while keeping the square plan with which it was designed. It had a tower at each one of its four corners, until they added a 2nd floor. A more or less recent renovation gave it a modern mode, with treadmills and other improvements. But it was preserved its personality as big retail house of food, beverages, specialties, bars, restaurants, warehouses. Its egalitarian and democratic customers never deserted from their shops and stalls, despite successive architectural transformations. And the Market was the most faithful to city life, including disasters like the great flood in 1941, that flooded it to a height never suspected. Neither repeated fires swept its mood or scared away his customers. Solidarity, the Porto Alegre people cried the disasters and contributed to repair them. If winters eventually back off the goers, the summers, with ice cream and cold drinks, attract them back. The bohemians have never failed to visit it. And even the African religious worship the mystery of his corridor. In times of political unrest, the Market was the favorite place of lightning-rallies, protest speeches and partisan strife. The street preachers and the missionaries, if not enter on its corridor, discourse around it about the dangers of alcohol and Hell, never able to terrorize the bars customers. And the hawkers of teas, syrups and more precious panaceas brought to XV Square the Amazonian or Mato Grosso remedy for all diseases, with supportive applause of an interested and curious audience. But we would not objective description of the charms of the Market without speak about of the treasures only found in some of its stalls. Opens investigation looking for certain quality embedded and will only discover it at Central Market. Unsuspected varieties of erva-mate, either Soledad or Palmeira, there are only in there offered for sale. And what about that colonial bread imported from Dois Irmãos? In the end, Porto Alegre and its Big Market from XV Square made an inseparable and unmovable couple.

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