Mercado Central de Florença

Mercado Central de Florença

 

Após visitar a Capela dos Medicis junto a Igreja de San Lorenzo, basta alguns metros para chegar até o Mercato Centrale de Firenze. Não há como não incluí-lo no roteiro. Toda a gastronomia da Toscana poderá ser revelada por uma inspeção minuciosa. O ideal seria pelo menos duas passagens, para assimilarmos como era a preparação das delícias que encantavam os pontífices, os soberanos, os banqueiros e todos os políticos da Toscana e do mundo.

 

Cosimo de Medici, o Vecchio, político e banqueiro, sabia da importância de uma boa refeição para concluir negociações políticas e econômicas. Sua esposa era responsável pela elaboração dos pratos que deram destaque a Firenze nos meados e final do século XV. O atual Mercado Central de Firenze, estrutura metálica clássica, oferece oportunidades para analisar e comprar os produtos utilizados, pela esposa de Cosimo de Medici, para obter excelentes resultados na culinária diplomática.

A carne suína tem destaque, tanto que o alimento típico, consumo rápido, encontrado nos bares e restaurantes do local, é o panini com porchetto. Embutidos de todos os tipos, com todas as formas e comprimentos, com indicação de que província, de que região, de que parte da Toscana procedem, ocupam todos o espaço das fotos.

Frutas, verduras e flores são vendidas à parte. Alcachofras, favas e ervilhas são estrelas na primavera. No outono, procure cogumelos e trufas.

Em Firenze, na escolha da refeição os Chiantes são companheiros. O desafio é saber qual o parceiro adequado: são mais de quinze procedências possíveis. Outra dificuldade é escolher o óleo de azeite extra-virgem, baixa acidez. São tantas as possibilidades: as amostras degustadas no pão oferecido não retiram as dúvidas. 

Velhos castelos foram transformados em centros de viticultura. Cada qual apresenta a sua marca, o seu rótulo característico. Na Toscana predomina a uva Sangiovese, com o seu tamino que exige tempo para alcançar a perfeição.

Os cogumelos, as trufas, são coadjuvantes essenciais. Ao natural, secos, desidratados, moídos ou não, estão prontos para entrar no combate. Pratos empregando os intestinos, os miúdos de bois e de porcos, são tradições — lampredotto e trippa. O bife à Fiorentina é outra atração: ao meio-dia, no entorno, é refeição popular apreciada pelos apressados compradores.

 

Os pernis defumados, dependurados como telas, são obras de arte no aguardo dos apreciadores. A caça está presente nos faisões, nas codornas e mesmo no javali. Produtos embutidos, associados ao porco selvagem, estão por todos os lados. Galinhas comuns, de angola, perus gigantes — taquinos com 10 ou mais quilos — surgem como possibilidades para receitas imperiais ou para repasto de papas.

No momento da fome irreparável, da gula vencedora, para degustar o lugar e o momento, o diabo que amassou o nosso pão, que me desculpe: não dá para rejeitar os calzones. Imensos, no ponto, saídos do forno, tentam com o recheio de azeitonas negras, com o tradicional conteúdo com ovos, mas a escolha ficou com os cogumelos porcinos divinos. Depois, para concluir, experimente o recheio com alcachofras. Como extravagâncias, que tal um Brunello de Montepulciano para acompanhar as experiências?

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