Mercado Cantonês de Hong Kong

Após a reintegração da China Continental, em 1999, Hong Kong, pelos tratados  armados entre China e Inglaterra, possui status de Região Independente. Leis, sistema tributário e legislativo independentes, moeda própria, é enclave capitalista numa China Continental que procede de Revolução Marxista.

 

 

Tema para discussões. O poder aquisitivo é elevado, as lojas de luxo ocupam prédios suntuosos e os preços são milionários. O preço dos imóveis é calculado em dólares por polegada quadrada. Alguns imóveis exigem mais de dois mil dólares americanos pela polegada quadrada. Absurdo para os padrões brasileiros.

Mas o mais interessante são os mercados locais. Aqui se fala cantonês, o mandarim de Beijing não é bem visto; inclusive nos hotéis, as informações são claras: falamos inglês e cantonês entre as línguas principais. Nas zonas populares, entre os prédios residenciais, imensos conglomerados, administração não muito fácil para o síndico, podemos encontrar os artigos de consumo diário das famílias. O velho hábito é comprar diariamente o que será usado na aliment

ação da jornada. Refrigeradores são artigos escassos e de pouca procura. Hong Kong é atualmente o maior centro fi nanceiro da Ásia, sua bolsa de valores movimenta bilhões de dólares e sinaliza a direção dos negócios para os outros países. Agora é o momento de pesquisar os mercados locais e as suas ofertas.

Barbatanas de tubarão, secas ou desidratadas em embalagens a vácuo, tubérculos estranhos, pacotes com algas, ginseng, cogumelos, camarões secos, lulas desidratadas e mesmocasulos de bicho da seda estão entre as ofertas. Mariscos ressecados e até estrelas do mar estão entre os itens utilizados na culinária local. ─ Alguns dos produtos possuem finalidade medicinal – diz o vendedor num inglês complicado de entender. Pequenos lanches eram ofertados entre lojas de esquina que vendiam frutas frescas e hortaliças. Os preços dos alimentos são bem razoáveis para padrões brasileiros, alguns bem baratos mesmo. A sugestão mais atraente estava naquele pequeno restaurante. Além do pato laqueado, do marreco laqueado, até lulas brilhantes no amarelo podiam ser degustadas à moda cantonesa.

Apesar da curiosidade, a precaução venceu. Desistimos por segurança, pois não estamos acostumados com as novidades, algo desconhecido para o nosso estômago. Ficamos com algumas instruções recebidas de um nativo intrometido. Na cozinha de Beijing, o alho, a cebola e o gengibre predominam na apresentação. – O importante é saber cortar os vegetais – explica e mostra o cozinheiro ao efetuar o seu trabalho. A cozinha de Cantão é a mais refinada de toda a China. Tanto no gosto quanto na apresentação. Por influência europeia, começando pelos portugueses, depois com os holandeses e ao final com os ingleses, a gastronomia foi ampliada com a introdução de novos produtos, de condimentos estranhos e processos alternativos.
– Cozinhar é uma arte em Cantão!
– eu não podia esquecer. Elas explicam por que Hong Kong é rainha também na cozinha.

O menu do restaurante logo em frente apresentava provocação. Iríamos desistir?
– Barbatanas de tubarão fl ambadas com carne de caranguejo no entorno.
– Lagosta cozida na manteiga.
– Garoupa no vapor com arroz

enrolado em folhas de lótus.
– Vegetais no vapor.
– Pudim de manga na sobremesa.

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