Mercado à altura

O crescimento do comércio no Mercado e a criação de outros prédios imponentes no Centro, como o Paço Municipal, levaram à construção do segundo pavimento.

 

Entre o final do século XIX e início do século XX, surgiriam espaços clássicos que existem até hoje, como o Restaurante Gambrinus e o Bar Naval. Além de centro de abastecimento, o Mercado havia se tornado um ponto de parada para comerciantes do entorno, trabalhadores das docas e negociantes.

A cidade no entorno também crescia. Em 1901, um aterro sobre a Doca do Carvão foi feito para erguer o Paço Municipal, novo prédio da administração pública.

A gestão de José Montaury estava atenta ao crescimento de Porto Alegre e propôs a construção de um segundo piso no Mercadão — que serviria tanto para atender a demanda por novos espaços na cidade quanto a necessidade de mais renda para o município.

Outra justificativa era a vontade de trazer ao Mercado a mesma imponência do Paço ao seu lado, assim como de outros prédios erguidos no Centro neste período. Assim, como parte do Primeiro Plano de Melhoramentos para Porto Alegre, foi iniciada a construção do segundo andar em 1910.

Arquivo/JM

Altos do Mercado

A licitação pública foi vencida por Hildebrando Fernandes de Oliveira, que teve prazo de 20 meses para conclusão. Ele conseguiu cumprir. O acréscimo de um andar ainda manteve o estilo neoclássico, mas com pequenas modificações no prédio.

Entre elas, a inclusão de elementos da arquitetura clássica, como frontões triangulares nos eixos principais, e a alteração dos torreões das esquinas, com novas aberturas e uma estrutura em arco — ornamentos que acabaram se tornando símbolos do prédio. Janelões envidraçados e uma cobertura de telha de barro, com estrutura em madeira, completaram o novo pavimento. A arquitetura mais ornamentada é de um estilo historicista ou eclético. E o Mercado ganhou as feições que mantém até hoje.

Inicialmente e por muitos anos após, o segundo piso foi destinado a serviços de repartições públicas, além de escritórios comerciais e industriais. Chamado nos primeiros anos de galeria municipal, logo passou a ser conhecido como os altos do Mercado.

Em julho de 1912, ainda em meio às obras de construção, aconteceu o primeiro grande incêndio do Mercado, que destruiu os 24 chalés de madeira do pátio inteiro. Então a obra de recuperação da parte sinistrada precisou seguir paralela à finalização do segundo piso, que foi entregue em 1912. O pátio interno, após a recuperação, passou a contar com quatro grandes chalés de ferro e cimento e um frigorífico coletivo.

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