Marietti Pacheco Fialho: “Eu acho interessante a história da construção do Mercado Público”

 

Depoimento ilustre

 

Marietti Pacheco Fialho, cantora

 

Filha de um legitimo boêmio, músico e freqüentador assíduo do Mercado Público, Marietti Fialho. Ficou conhecida por seu trabalho como vocalista na Motivos Óbvios, banda de reggae gaúcha dos anos 1990. Com a forte influência dos acordes e melodias de sua família, a cantora gaúcha não se imaginava fazendo outra coisa que não fosse cantar. Teve uma formação musical sem preconceitos, do samba ao blues, com grande influência de seus pais. Na adolescência,teve uma grande surpresa ao ser convidada para fazer parte da Motivos Óbvios. Foi então que a jovem e promissora cantora passou de backing vocal para vocalista do grupo. Na banda cantou durante quase uma década. Abriu shows de grandes grupos internacionais, fazendo sucesso no exterior. Em sua carreira solo nasce seu novo trabalho “Eu vou à luta”. Aqui Mariette dá o seu ilustre depoimento sobre o Mercado, que para ela é um grande centro cultural e não apenas um ponto comercial.

 

“Eu acho interessante a história da construção do Mercado Público, tem até uma história com o Bará, que está plantando no centro do Mercado Público, não tenho muita informação sobre isso, mas é um Bará. Até pegando pela questão do lado dos negros do Rio Grande, mais um marco da história que mostra o quanto o negro contribuiu para o estado. E o Mercado Público é uma das obras assim, que espelha exatamente essa contribuição do negro para a cultura gaúcha. Eu acho importantíssimo o Mercado Público, não só pela questão comercial, que ele representa, que tem inúmeros tipos de produtos que são comercializados, mas pelo fato histórico e cultural. Meu pai vivia aqui cantando e tocando. A história da música no Mercado Público, está onde muitos músicos se reuniam, muita conversa de mesa de bar, muitas histórias contadas, muitos personagens. Passou muita gente por aqui, muitos boêmios como, Giba-Giba, Lupicínio Rodrigues, e outros cantores mais da noite de Porto Alegre se reuniam no Mercado  para tomar um vinho, comer um mocotó. Eu sempre vi o Mercado Público como o epicentro cultural de Porto Alegre. Às vezes até passa meio despercebido por algumas pessoas, que veem no Mercado Público como centro comercial. Eu não vejo apenas como um centro comercial, mas também como um centro cultural e muito forte, pois ele cultua uma história, ele conta uma história que está por trás dessa construção, de todas as pessoas que passaram por ele, construíram os restaurantes, as bancas dentro do Mercado Público. Eu me lembro que antes (da reforma) não dava para entrar no Mercado Público, era quase intransitável, mas depois da reforma eu acho que melhorou “pra caramba”, melhorou muito, inclusive pessoas que nem conheciam o Mercado Público e acabavam comentando: Bah, eu não conhecia, mas que bonito! Olha, eu acho que o Mercado Público é um dos lugares mais fortes e que tem mais histórias do Centro Histórico de Porto Alegre”.

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